A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano na última quarta-feira já era esperada pelo mercado financeiro. Entretanto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deixou claro que os juros não vão mais subir. Por outro lado, afirmou que a cautela e o rigor continuam, indicando que a Selic permanecerá em 15% até dezembro. Isso significa que não haverá como a economia ganhar maior tração nos próximos meses. Aliás, a depender dos últimos indicadores das atividades dos setores, vai perder algum rigor. Não deve ser nenhum revés acentuado, até porque o governo continua injetando muito dinheiro no País e a cada dia um programa social sai do papel ou os atuais são expandidos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O objetivo do Banco Central é cumprir pelo menos o teto da meta de inflação, de 4,5% ao ano. Atualmente o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 5,13%, enquanto o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com previsões do mercado, aponta para 4,83% em 2025. Assim, não se deve esperar um recuo da autoridade monetária. Mas isso deverá ocorrer em 2026 – o mercado espera que o IPCA caia para 4,3%, dentro do teto da meta. Alguns economistas acham que a Selic poderá ser reduzida no começo do próximo ano, ficando em dezembro de 2026 abaixo de 12,5%. Uma mudança na Selic leva alguns meses para fazer efeito, mas a diferença é que os agentes econômicos – empresas e investidores – passarão a desengavetar projetos devido à expectativa de redução do custo do dinheiro. Porém, o que tende a fazer efeito mais imediato no Brasil é a queda de juros nos Estados Unidos, ontem, em 0,25 ponto, ficando na banda de 4% a 4,25% ao ano (diferente do Brasil, os EUA têm uma faixa de juros básicos). Como há expectativa de mais dois recuos neste ano, a diferença das taxas entre Brasil e EUA vai aumentar. Isso já estimula grandes fundos e investidores a tomarem empréstimos baratos em seus países para comprarem papéis brasileiros de renda fixa, que rendem muito mais. Além disso, a Selic está mais alta do que seus pares no México e Colômbia, aumentando a competitividade brasileira na atração por capitais. As ações do Brasil também começaram a receber parte desses capitais. De segunda a quarta-feira desta semana, o Ibovespa acumulou alta de 2,3%. No sentido contrário, o dólar deve continuar em queda. Neste ano ele acumula perda de 14% e, de segunda a quarta, recuo de 0,9%. Alguns economistas calculam que seu preço justo seria de R\$ 5, indicando mais desvalorização. A moeda americana mais barata, apesar de prejudicar os exportadores, reduz os preços do diesel e do trigo e dos outros importados, colaborando para reduzir a inflação. Portanto, a conjuntura facilita o trabalho do BC, que alerta para riscos da guerra tarifária e da geopolítica. Se o governo não surpreender com mais gastança com vistas à eleição, essa traumática política restritiva do BC finalmente passará a perder força no próximo ano.