(Matheus Tagé/Arquivo AT) Dois estudos recentes, realizados por institutos diferentes com amostras em todo o País, oferecem pistas consistentes de que a questão da segurança pública caminha para ocupar o topo do ranking das preocupações do brasileiro. No início deste mês, a Rede Globo, em conjunto com a Qaest, divulgou os dados do estudo Brasil no Espelho: Valores, Hábitos e Percepções dos Brasileiros, feito com mais de 10 mil brasileiros, apontando quais são as principais vantagens e desvantagens do País, hábitos de consumo, preocupações e traços do perfil atual do povo em todas as regiões do Brasil. A pesquisa apontou que 85% dos brasileiros sentem orgulho do País e veem entre as principais vantagens o fato de não haver guerra como em outras regiões do planeta. Porém, ao lado da corrupção, o crescimento da violência nas grandes cidades aparece como preocupação. Neste final de semana, outro levantamento aponta para a mesma direção. O Instituto Datafolha identificou que o percentual de brasileiros que veem na segurança pública o principal problema do País chegou a 16%, atrás apenas de saúde, área reconhecida como o maior gargalo nacional para 20% dos entrevistados. A segurança superou, pela primeira vez, as incertezas da economia, que figurou como principal problema para 11% dos mais de 2 mil brasileiros entrevistados. Na estratificação, a falta de segurança pública é mais citada entre os homens: 18% deles a enxergam como o maior problema do País. Para as mulheres, a saúde lidera com 26%. Alguns fatores podem estar associados a esse aumento na percepção de insegurança. Nos últimos meses, especialmente no segundo semestre deste ano, os relatos de episódios envolvendo ações violentas País afora tomaram conta do noticiário: homicídios, feminicídios, operações conduzidas pela Polícia Federal contra facções criminosas e, mais recentemente, a chacina promovida no Rio de Janeiro, que vitimou 121 pessoas das comunidades da Penha e do Alemão. Os brasileiros têm sido impactados fortemente pela ciência da extensão da atividade das organizações criminosas. Em agosto, a Operação Carbono Oculto identificou a atuação desses criminosos até mesmo em fintechs e postos de combustíveis. Essas notícias levam incertezas e insegurança sobre a eficiência do estado no combate a essas organizações com inteligência e estratégia. A julgar pelos resultados dessas pesquisas, é possível prever que, em 2026, o tema segurança deve dominar os debates políticos e a campanha eleitoral, com cobrança aos candidatos dos executivos que concorrem à reeleição e um leque de promessas por parte de quem pleiteia vencer nas urnas. Importante que o eleitor esteja atento à apropriação desse tema pelo ambiente eleitoral, onde nem sempre os dados estão corretos e as promessas são passíveis de serem cumpridas. Levar segurança ao brasileiro é fundamental, e esse é um tema que deve, sim, ser cobrado em campanhas e debates, mas estar bem informado sobre a quem cabe o que é o primeiro passo para não se deixar enganar.