A UTI neonatal do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, passará de oito para 20 vagas até o fim do ano (Vanessa Rodrigues/AT) A notícia de que a Baixada Santista ganhará mais de 200 novos leitos hospitalares até novembro — distribuídos entre Bertioga, Peruíbe e São Vicente — e de que a UTI neonatal do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, passará de oito para 20 vagas até o fim do ano, é motivo de celebração. São conquistas que reforçam a rede pública, aliviam a sobrecarga em Santos e ampliam o acesso da população a um atendimento de qualidade. O anúncio feito pelo secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, durante a 3ª Oficina de Regionaliza-ção da Saúde da Região Administrativa 7, mostra que os investimentos estão caminhando, com recursos liberados para custeio e infraestrutura. Além da ampliação de leitos, o Hospital Guilherme Álvaro receberá melhorias estruturais, com reforma da hemodinâmica, aquisição de um novo equipamento para cateterismo e fortalecimento em áreas essenciais, como oncologia e cardiologia, além de aumento de vagas na UTI neonatal. Entre 2022 e 2023, a Baixada e o Vale do Ribeira registraram aumento de 33,55% em cirurgias eletivas, 27% em internações de alta complexidade, 31,38% em atendimentos oncológicos e 43% em radioterapias. Resultados que evidenciam a importância de descentralizar a gestão da saúde, aproximando o planejamento das realidades locais. Mas os desafios permanecem. A mortalidade infantil na região, de 13,96 por mil nascidos vivos, ainda está acima da média estadual (10,57). A meta de reduzir esse índice para um dígito exige esforço conjunto e especial atenção ao pré-natal, com encaminhamento adequado de gestações de alto risco. Outro gargalo é a cobertura vacinal, que mesmo com campanhas ainda não alcança o patamar ideal na Baixada. Nesse contexto, é fundamental reconhecer hospitais que já prestam serviços de excelência, mas que ficaram de fora desse pacote, como o Santo Amaro, em Guarujá, que atende 100% via SUS e desempenha papel crucial no atendimento regional. Uma política de regionalização só será efetiva se incluir todos os elos dessa rede. E há ainda uma pauta que precisa avançar: a chamada Operação Verão da Saúde. Prefeitos da região defendem há anos a necessidade de reforçar a estrutura hospitalar no período de alta temporada, quando a população flutuante pressiona ainda mais os serviços de saúde, sobretudo em Santos. Esse movimento não pode ficar apenas no discurso — deve se tornar política pública permanente. Outra questão fundamental é a atualização da tabela SUS, que desde 2008 não sofre reajuste e torna o custeio dos hospitais um desafio constante no fechamento de suas conta. A Baixada Santista carece de olhar ampliado, que transcenda os limites municipais. Os anúncios desta semana aliviam o cenário, é fato, mas é preciso manter a bandeira da saúde pública levantada de forma permanente, e a tarefa não é só dos prefeitos, mas dos legislativos municipais, estaduais e federais.