(Reprodução/X) Em entrevista no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, e em artigo recente, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, apresentou um dos mais claros estudos sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. Segundo ela, a tecnologia já atua como um “tsunami” no emprego e as sociedades não estão prontas para esse cenário, sendo preciso se preparar para impactos positivos e negativos. O medo de ficar desempregado perante as mudanças é evidente, fruto do desconhecimento e da rapidez com que as transformações despontam. Entretanto, as conquistas esperadas, como aumento de produtividade, conforto para trabalhar e fim de atividades extenuantes ou perigosas, com mais qualidade de vida e saúde, mostram que a inteligência artificial se tornou indispensável para o mundo. Não haverá como evitá-la. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com Georgieva, 60% dos empregos nas economias avançadas e 25% nas emergentes já são “tocados” por alguma inteligência artificial, cuja expansão no trabalho depende de quatro pilares – infraestrutura física, habilidade profissional, regulamentação/ética e difusão (impacto real na economia). Conforme o estudo, os países estão enquadrados em categorias, com Brasil, México e Suécia se destacando no grupo com alta demanda por novas competências e oferta relativamente baixa (mais emprego de tecnologia e poucos profissionais preparados). Frente a isso, os governos têm que investir em capacitação e melhorar a educação em ciência, tecnologia, Engenharia e Matemática. Nos emergentes, conforme ela, será necessário um conjunto de políticas, como estimular a concorrência, facilitar a entrada de novas empresas no mercado e fazer proteção social, atendendo trabalhadores que enfrentam transições mais difíceis. O que mais preocupa no alerta da diretora do FMI é que, no caso do Brasil, o País não fez a lição de casa nem no campo do ensino tradicional, apesar de avanços pontuais nas últimas décadas, e não tem tradição de investir em Matemática e Engenharia. O Brasil até é um bom desenvolvedor de planos e de políticas públicas, mas peca por não dar continuidade a suas ideias, enfrenta falta de recursos para aplicá-las, adia soluções e costuma improvisar. Contudo, a dúvida sobre o que realmente fazer em relação ao mercado de trabalho é mundial, com exceções, como Dinamarca e Finlândia, que já avançaram com mudanças em seus sistemas de ensino para os novos tempos. Hoje, a prioridade ainda é garantir insumos (minerais, energia), investir na infraestrutura (centros de dados), atrair capitais para esse setor e descobrir quais modelos de negócios sairão vencedores. Nos discursos da política, o preparo para o mercado de trabalho é até mencionado com algum sinal de preocupação, mas ainda não se vê nenhuma iniciativa mais aprofundada para preparar os trabalhadores brasileiros para esse “tsunami” já em ação, como disse Georgieva.