Serviço ficou instável durante todo o domingo no Litoral Sul (Divulgação) Começa a tomar corpo, volume e adesão a ideia de que a saúde pública na Baixada Santista precisa de reforço em recursos e infraestrutura na temporada de verão para dar conta de um volume de população que quase triplica já a partir de dezembro e até final de fevereiro. A exemplo do que ocorre desde 1992 com a segurança pública e com o mesmo argumento de aumento da demanda que vem de fora, o Estado reforça o efetivo de homens e viaturas, prevenindo crimes que, de outra forma, certamente fariam as estatísticas crescerem de forma expressiva. Para a saúde pública não é diferente, e tal demanda vem sendo apontada por gestores públicos e pessoal que atua na linha de frente, em unidades de pronto atendimento e hospitais da rede credenciada SUS. Na última quarta-feira, o deputado estadual Caio França (PSB) registrou na Assembleia Legislativa projeto de lei que cria o Plano Estadual de Reforço à Saúde Pública na Baixada Santista. A proposta, que já vinha sendo preparada pelo parlamentar, ganhou força durante sua participação em evento de saúde promovido pelo Grupo Tribuna, quando ouvir de secretários municipais da região a queixa de falta de vagas e sobrecarga na rede de atendimento, que se já é insuficiente para a a população residente, mais crítica fica com três vezes mais habitantes na alta temporada. A ideia é ampliar a capacidade de atendimento médico nas nove cidades, com contratações emergenciais ou cessão de profissionais de forma temporária. Também seriam criadas estruturas móveis de atendimento, como unidades de pronto atendimento itinerantes e postos de triagem médica; seria reservada mais verba para unidades municipais de saúde, mediante entendimento com prefeituras, e se reforçaria o fornecimento de medicamentos, insumos e equipamentos médico-hospitalares. Na quinta-feira, o secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, foi recebido em Brasília pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo o secretário, já haverá criação de um grupo de trabalho para avançar em relação a essa ação. A iniciativa é positiva e legítima. Na temporada passada, houve um aumento expressivo nos casos de virose na região, atribuída a fatores como aglomerações, consumo de alimentos de origem desconhecida e enchentes causadas pelas chuvas. Em Praia Grande, cerca de 7 mil pessoas foram atendidas nos prontos-socorros em um intervalo de 48 horas, representando um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. Santos, São Vicente e Guarujá também registraram atendimentos em quantidade alarmante, sem qualquer reforço em recursos e suporte estrutural. Assim como em outras áreas, a Saúde deve ser tratada de forma regional, com a coesão de todos os gestores e também dos parlamentares eleitos pela região. Somente dessa forma será possível ganhar escala e voz para reivindicar o destaque que os quase dois milhões de moradores merecem.