A área de 7,3 mil metros quadrados do Terminal Pesqueiro Público de Santos (TPPS) fica na Ponta da Praia, ao lado da travessia de balsas. O Governo Federal já tentou leiloar duas vezes o local, mantendo a atividade original, mas não houve interessado (Alexsander Ferraz/AT) À beira do estuário santista, em uma das áreas mais nobres do porto, repousa o Terminal Público Pesqueiro de Santos (TPPS), uma relíquia local que já brilhou intensamente na economia da pesca nacional, mas que há décadas enfrenta abandono, subutilização e descaso. Inaugurado em 1958, no governo Juscelino Kubitschek, o terminal foi referência nacional, chegando a movimentar 400 toneladas de pescado por dia e abrigar uma fábrica de gelo com capacidade de produção de 120 toneladas diárias. Era um verdadeiro polo econômico para a indústria pesqueira da Baixada Santista, gerador de empregos, renda e fornecimento de alimentos para o Brasil. Ao redor do terminal, na Ponta da Praia, e também em Guarujá, uma série de serviços paralelos e comércios locais prosperou durante décadas. O tempo, contudo, foi implacável. A ausência de políticas públicas efetivas, o envelhecimento da infraestrutura e a perda de competitividade frente a outros portos pesqueiros empurraram o TPPS para a irrelevância. Desde 2016, o terminal opera de forma precária: coberturas danificadas, lixo acumulado, ausência de gelo e de serviços essenciais. O declínio não foi apenas físico — ele simboliza o enfraquecimento de uma cadeia produtiva que movimentava a região. Sem estrutura, pescadores migraram para outros estados e, com eles, evaporou-se boa parte da atividade econômica que girava em torno da pesca. É nesse contexto de abandono que a proposta de concessão à iniciativa privada, por meio de leilão público, surge como um sopro de esperança. Após diversas tentativas frustradas, o Ministério da Pesca e Aquicultura marcou nova rodada de concessões para julho de 2025, com início nesta semana com a entrega de propostas pelos interessados. Caso o processo seja bem-sucedido, o terminal terá contrato de 20 anos com uma operadora privada, que poderá não apenas modernizar as instalações e retomar sua vocação original, como explorar atividades complementares como restaurantes, comércio, feiras e centros de pesquisa. Mais do que uma reativação econômica, a concessão pode se tornar uma ponte entre o mercado e a ciência. A região abriga universidades públicas e privadas que mantêm linhas de pesquisa voltadas à pesca, biodiversidade marinha e sustentabilidade. A aproximação entre a nova gestão do terminal e essas instituições pode consolidar Santos como um polo de inovação pesqueira, com estudos sobre os impactos das mudanças climáticas e da biodiversidade na produção de todo o litoral brasileiro — tema cada vez mais urgente. O TPPS, em seu apogeu, foi orgulho regional. Sua queda foi reflexo de uma série de negligências. Agora, tem diante de si a chance de renascer. Não se trata apenas de recuperar uma estrutura abandonada, mas de reposicionar Santos como protagonista da pesca no Brasil, integrando tradição, tecnologia e sustentabilidade. Mais que isso: voltar a ser um pilar econômico para toda a região.