Foto ilustrativa (Marcela Pierotti/Arquivo TV Tribuna) Dos índices setoriais de ações da Bolsa, o Imob, que representa as empresas do setor imobiliário, como construtoras e shoppings, foi o que mais subiu desde janeiro, atingindo 45%, segundo reportagem do jornal Valor Econômico. As outras referências da Bolsa, como de dividendos (Idiv), de consumo (Icon) e o próprio Ibovespa (ações mais negociadas), não tiveram mau desempenho, mas ficaram bem atrás. O que mais se aproximou do Imob foi o Índice Small Cap (empresas de média capitalização), com valorização de 19,5%. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A aceleração do Imob coincide com o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), já responsável por quase metade de todos os negócios de habitação do País. Porém, nesse ritmo, o MCMV dá sinais de estar perto de seu limite. Isso porque, no primeiro semestre, as vendas superaram os lançamentos, respectivamente com 46,9 mil e 44,2 mil unidades no País, conforme balanço da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). O governo precisa monitorar com rigor o MCMV, que, apesar de seu sucesso, está longe de resolver o problema do déficit habitacional. O desafio está em resolver a falta de recursos perante a demanda nacional e conferir tranquilidade às construtoras para que possam desenvolver projetos com a segurança do financiamento. Conforme a Cbic, no primeiro semestre, enquanto as vendas subiram 11,9%, os lançamentos caíram 15,5%. Para o economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci, esse descompasso pode ter sido provocado pelo quase esgotamento do orçamento do MCMV no meio do ano, problema que, segundo ele, foi resolvido. Porém, essa situação teria desestimulado novos empreendimentos. Neste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou a faixa 4 do programa, que atende famílias com renda mensal de R\$ 8 mil a R\$ 12 mil. Para abastecê-la, a solução foi destinar recursos de fundo especial do petróleo. A robustez dessa nova fonte de dinheiro depende do barril do petróleo, hoje abaixo de US\$ 70. Mas se espera que ele caia devido ao excesso de oferta e baixo consumo no mundo – que pode piorar com o tarifaço do Governo Trump. Assim como o MCMV é fundamental para a casa própria da baixa renda, esse programa se tornou decisivo para o crescimento da construção no País, o que inclui geração de empregos. Como os juros desse programa são mais baixos, essa linha habitacional não foi tão afetada pela Selic elevada. A situação é diferente entre os segmentos mais caros, expostos à Selic. Como em meados do segundo semestre do ano passado já houve falta de recursos à habitação e por pouco isso não se repetiu em 2025, é fundamental que o governo busque fontes mais estáveis. Esse objetivo deve ficar mais fácil com a expectativa de queda da Selic, mas o importante é que a disponibilidade financeira não sofra interrupções, principalmente em 2027. É para esse ano que se espera um severo corte de despesas federais, que obviamente não ocorrerá em 2026 por motivos eleitorais.