(Tânia Rêgo/ Agência Brasil) A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), assim como suas edições anteriores, deve enfrentar dificuldades para aplicar suas resoluções. Na verdade, este impasse reflete a sociedade, mergulhada em choque de interesses. É perceptível que o calor, a seca e as tempestades estão mais intensas do que há algumas décadas. Frente a isso, é preciso reduzir a emissão de carbono, porém, os países não conseguem, ou não querem, acelerar a transição dos combustíveis fósseis para energias renováveis. A situação é tão preocupante que cientistas já afirmam que o Acordo de Paris, que limita em 1,5 °C o aquecimento global em relação à era pré-industrial, será insuficiente para impedir o desastre ambiental. De concreto, já há a destruição das fontes de sobrevivência, as matas e os rios, dos povos pobres. Esse problema se tornou tão sufocante que a COP30 pode se tornar uma edição marcada por protestos. O primeiro foi na terça-feira, com tentativa de invadir a sede do evento. A pressão continuou, com o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, se reunindo na sexta com os indígenas mundurukus, temerosos com o impacto de ferrovias, hidrovias e exploração de petróleo na Amazônia. Ontem, mais manifestações marcaram a COP30, que se diferencia das três anteriores, do Egito, do Azerbaijão e dos Emirados Árabes Unidos, que vetavam os atos, como lembrou o jornal O Estado de S. Paulo. Além da democracia brasileira, que permite reclamar, a COP de Belém está mergulhada na ‘casa’ dos indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores, pressionando as Nações Unidas. Além desse choque de realidade, a COP30 enfrenta o dilema das reuniões anteriores, o desentendimento. Mas os negociadores afirmam que já se sabe o que tem que ser feito – os países ricos financiando a transição energética dos mais pobres, definir prazos para que essa mudança seja efetivada e como as grandes corporações devem agir para atenuar os impactos ambientais. Portanto, os participantes do evento dizem que esta COP é a da implementação. Como isso envolve muito dinheiro, é possível que boa parte das decisões seja empurrada para a COP31, cuja sede é disputada pela Austrália e Turquia. A COP30 termina na próxima sexta-feira, prazo razoável para se chegar a vários acordos. A experiência que se tem com as COPs anteriores é de uma insuportável indecisão até o fim, com um documento final saindo às pressas para evitar uma frustração generalizada. O que preocupa é que persiste a sensação de que a luta contra o aquecimento está sendo perdida. Para piorar, o negacionismo climático ganhou empurrão do ausente governo americano. Além disso, há o pragmatismo de países como o Brasil, que não abrem mão dos combustíveis fósseis, e da abrupta necessidade das novas tecnologias por minerais e energia. Nesse contexto, o temor é de que a descrença contamine esta e as próximas COPs, com a destruição do planeta se tornando questão de tempo.