(Vitrine Filmes/ Divulgação) O cinema brasileiro voltou a ocupar um lugar de destaque no cenário internacional. As cinco indicações do Brasil ao Oscar 2026 representam um feito histórico, que só encontra paralelo em 2004, quando o País viveu momento semelhante de reconhecimento pela Academia. Passadas mais de duas décadas, o retorno a esse patamar não é fruto do acaso, mas do amadurecimento de uma indústria que se mantém ativa, criativa e inovadora, mesmo diante de obstáculos recorrentes, especialmente quanto ao financiamento do setor. O caso de O Agente Secreto é emblemático. O filme, responsável por quatro das cinco indicações, teve um orçamento estimado em cerca de R\$ 27 milhões e contou com financiamento misto, incluindo recursos do Fundo Setorial do Audiovisual e, principalmente, a participação de coprodutores internacionais da França, Alemanha e Holanda. É importante destacar: a produção não utilizou a Lei Rouanet, frequentemente citada de forma genérica em debates sobre cultura. Além disso, os recursos públicos destinados à campanha internacional, cerca de R\$ 800 mil, dizem respeito à promoção do filme no exterior, prática comum e estratégica em premiações dessa dimensão. Essa visibilidade vai muito além de troféus ou tapetes vermelhos. Quando um filme brasileiro alcança o Oscar, não é apenas a obra que entra em evidência, mas o próprio Brasil. Suas histórias, sua identidade, seus profissionais e sua capacidade criativa passam a ocupar a vitrine global. O cinema se transforma, assim, em instrumento de projeção cultural, econômica e simbólica do País. Importante citar que, além do filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, a cerimônia do Oscar, em março, terá ainda a torcida para o brasileiro Adolpho Veloso, na categoria de Melhor Fotografia, por seu trabalho no filme Sonhos de Trem. O cinema brasileiro caminha, assim, para se consolidar como uma indústria robusta. O audiovisual emprega milhares de pessoas direta e indiretamente, gera renda, movimenta cadeias produtivas, fomenta tecnologia, turismo e serviços. Cada produção envolve técnicos, artistas, fornecedores, locações e empresas de diferentes portes. Santos é um exemplo concreto do potencial desse segmento. Reconhecida pela Unesco como Cidade Criativa do Cinema, a cidade construiu essa chancela a partir de sua produção audiovisual, de seus festivais, profissionais e iniciativas culturais. É um reconhecimento internacional que comprova o valor estratégico do audiovisual como vetor de desenvolvimento. Após dois anos consecutivos de brilho nas telas, com Ainda Estou Aqui e agora O Agente Secreto, o Brasil vive um momento especialmente propício, quando o foco poderia se voltar para as novas gerações, com fortalecimento de políticas públicas, capacitação e recursos. Cinema não é gasto, mas investimento e, quando tratado com profissionalismo e competência, projeta o País, gera oportunidades e aponta caminhos novos.