Foto ilustrativa (Freepik) Desde o fim do século 19, o Estado, com a riqueza do café, que depois financiou a industrialização, atraiu, além dos estrangeiros, brasileiros de outras regiões, como nordestinos e mineiros. Hoje São Paulo, com 46 milhões de habitantes, continua como a grande força econômica do País. Porém, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2022, mostra que São Paulo teve saldo negativo de migrantes entre 2017 e 2022 – enquanto 736.380 brasileiros decidiram viver nas cidades paulistas, 825.958 se mudaram, resultando numa perda de 89.578. No mesmo período, Santa Catarina passou por fenômeno oposto, com resultado positivo de 354.350 migrantes, o maior do País. Das 27 unidades da federação, apenas Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Paraíba, Espírito Santo e Tocantins mais atraíram do que perderam brasileiros para outras partes do País. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O censo já havia indicado um baixo crescimento, estagnação ou recuo populacional das maiores cidades do Sudeste e Nordeste. Santos registra esse fenômeno desde os anos 1980, limitada pela falta de espaço e pelo envelhecimento da população. Agora, o IBGE mostra mudanças importantes nos movimentos, de saída do Sudeste e também do Nordeste (menos do que nas décadas anteriores), e de migração ao Sul e Centro-Oeste. Os demógrafos apontam como um dos motivos dessa mudança o agronegócio, que gera empregos nas cidades pequenas, injetando recursos no comércio, prestação de serviços e agroindústria. Além disso, o crescimento do trabalho remoto e a videoconferência para estudar dispensaram a necessidade de deixar o interior. Paralelamente, muita gente fugiu da violência das metrópoles. Mas este último caso precisa ser melhor investigado, pois a criminalidade, baseada na expansão das facções, também infestou o interior, atrás dessas novas riquezas, em áreas pacatas e com pouco policiamento. Santa Catarina se tornou o polo de atração de migrantes não apenas pelo agronegócio. O estado não tem grandes cidades – Joinville é a maior, com 616 mil habitantes – e possui indústria bem desenvolvida em vários setores, como o de alimentos, têxtil e de equipamentos elétricos. Já há pleno emprego (após a demissão, consegue-se outro trabalho), com desocupação de 3%, frente aos 6,2% do País e mais de 10% nos estados em pior situação. Segurança, emprego e qualidade de vida, associados às novas tecnologias, com seus efeitos na migração, indicam o que prefeitos e governadores devem fazer para desenvolver cidades e estados. Esse movimento populacional mostra que as metrópoles, ainda que concentrem a riqueza econômica e intelectual, estão se tornando desinteressantes devido à violência, ao trânsito insuportável e ao custo elevado da moradia, com salários que não compensam esses problemas. Sem mudanças profundas, a decadência e o esvaziamento são possibilidades muito próximas.