(Reprodução/Unsplash) Os Estados Unidos permanecem como o país da inovação tecnológica e sede das empresas líderes, além de principal potência militar, mas é a China que lidera o comércio global, a ponto de resistir com folga às tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump. No acumulado de janeiro a novembro, a economia asiática superou US\$ 1 trilhão de superávit comercial (exportações menos importações), um recorde. Já os EUA, na metade do ano, atingiam déficit de US\$ 500 bilhões, ainda sem dados mais recentes que mostrem resultados da política de seu governo. Trump, de início, impôs tarifas de quase 150% à China, adotando recuos e suspensões com a expectativa de obter um acordo favorável. O que se tem hoje é uma taxação média de 37% e incertezas sobre o acesso às terras raras, insumos essenciais à tecnologia, cuja mineração e refino são quase totalmente controlados pela China. Com o tarifaço de Washington, as exportações chinesas aos EUA caíram 29% em novembro, sobre igual mês do ano passado. Mas o país asiático ampliou suas vendas mundiais em 5,9% sobre 2024, chegando a US\$ 1,08 trilhão de saldo. O sucesso da China mistura estratégias, planejamento de décadas e resiliência ímpar, que deveriam servir de exemplo ao Brasil. A partir dos anos 2000, o País passou a ter saldos comerciais positivos, tornando-se um megaexportador de commodities, mas sem conseguir expandir sua indústria, e a China é a principal causa disso. Entretanto, nesse período, o Brasil investiu pouco em inovação e recorreu a subsídios e reserva de mercado, não capacitou mão de obra e deixou emigrar jovens bem formados. Hoje, o superávit mensal da China é quase o dobro do anual brasileiro. Os analistas acreditam que Pequim conseguiu exportar aos EUA por meio de outros países, uma intermediação contra a qual Trump identificou e até criou sobretaxa extra. Entretanto, essa tática parece difícil de ser coibida. Além disso, a força chinesa no comércio vem com uma mão de obra abundante, não tão barata como antes, melhor formada, com mais cientistas e engenheiros. Entretanto, há muitas reclamações de preços irreais sustentados pelo Estado chinês e contra um excesso de produção não absorvido internamente porque a China desacelerou, desaguando mercadorias baratas pelo mundo, de aço a carros elétricos. A notícia do saldo trilionário poderá atrair contra Pequim uma nova leva de tarifaço, mas de outros países. Talvez isso já não tenha começado para Trump não passar a falar com autoridade que estava certo. A União Europeia tem déficit comercial com a China de US\$ 300 bilhões e a França ameaça reagir com taxas. No caso do Brasil, em relação à China, apesar de não conseguir competir na indústria, o País conquista superávits com os asiáticos há muitos anos. Contudo, é hora de aprender com chineses e americanos a investir em inovação, ensino e pesquisa para desenvolver a economia na totalidade.