(RS/Fotos Públicas) Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se encontrarão no próximo domingo na Malásia, quando o americano poderá mostrar se está disposto a fazer concessões ao Brasil em troca de um acordo. Em julho, ele tentou impor o fim do processo contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), ingerência devidamente recusada pelo Brasil. O problema é que Trump atrelou essa questão às tarifas mais altas aplicadas no mundo, ao lado da Índia, de 50%, por considerar que o ex-presidente é alvo de uma “caça às bruxas”. Mas ele também alegou que o Brasil tem sido desonesto com os Estados Unidos no comércio, apesar do País ser deficitário com os EUA desde 2009. Entretanto, a Casa Branca alega que o governo brasileiro sobretaxa produtos americanos, como o etanol. Portanto, nessa conversa, Lula terá de convencer Trump a se concentrar apenas no lado comercial, com o qual o Brasil tem poder de barganha. Lula acertou ao não ceder aos EUA desde o começo, ficando a impressão de que o Governo Trump tende a “respeitar” países dispostos ao confronto. Porém, não convém abusar. O Brasil tem excelente tradição em negociações comerciais, como em muitas vezes na Organização Mundial do Comércio e a União Europeia. Do Brasil, os EUA querem terras raras, evitar a taxação das big techs e tirar as restrições ao etanol. Já o País quer isentar o café e as carnes, e ainda produtos perecíveis ou originados de exportadores mais pobres, como frutas e pescados. O que favorece o Brasil é que a economia brasileira é complementar à americana, fornecendo desde itens in natura e insumos a componentes industriais que serão utilizados em algum estágio nos EUA na produção em geral. Os empresários brasileiros esperam por uma isenção, tal como a do suco de laranja e aviões. Como as tarifas se dividem entre uma de 10%, que é geral, e outra de 40%, punitiva, esses 40% é que seriam retirados. Contudo, observando o que Trump já tratou com países com os quais não tem questionamentos de natureza política, é esperado que esses 40% sejam reduzidos, por exemplo, para 10% ou 15%. Fica a dúvida se Trump tentará agradar seus aliados ideológicos, mantendo as sanções às autoridades do Brasil e sobretaxa mais alta do que as de outras economias que competem com o País para exportar aos EUA. Do lado do presidente, é provável que Lula saia politicamente fortalecido em qualquer cenário. Na pior situação, ele poderá repetir que não aceitou imposições. Por outro lado, com um acordo de concessões dos EUA e cessões do Brasil, ele deverá dizer que fez o possível. No fim das contas, o que pesará é a imagem que se terá da reunião entre os dois, de eventuais sorrisos e abraços, deixando a parte técnica aos negociadores. É preciso ressaltar ainda que a diplomacia brasileira foi hábil em evitar um encontro na Casa Branca, onde se temia algum constrangimento, optando por um palco neutro, na Cúpula do Sudeste Asiático.