(Alexsander Ferraz/AT) Conforme revelado pelo Governo do Estado a A Tribuna, a segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) começa a operar nesta segunda-feira (1), entre as estações Conselheiro Nébias e Valongo. O início de suas atividades encerra uma fase de obras muito sofrida, principalmente para o Centro de Santos, que enfrentou uma perda de público do comércio e do pessoal dos escritórios na pandemia. Os transtornos causados por obras públicas são inevitáveis, mas tamanho impacto poderia ter sido amenizado com um planejamento mais adequado e uma execução no prazo prometido. Agora é torcer para o pleno funcionamento começar logo e a população usufruir desse modal moderno e de menor impacto ambiental. Espera-se também que o VLT atraia turistas e inspire o santista a frequentar mais o Centro Histórico. O funcionamento da expansão do VLT ainda será parcial, com período reduzido, das 9 às 15 horas, gratuito até o próximo dia 15 (apenas no trecho novo). A operação das 5h30 às 23h30 deverá começar em até seis meses, segundo a Agência de Transporte do Estado (Artesp), autarquia responsável pelo VLT, afirmou a A Tribuna. A operação da expansão do VLT começa após cinco anos de obras, com prazo estourado, assim como seu orçamento, englobando dois governos, o de João Doria e o de Tarcísio de Freitas. Doria assinou, em 24 de setembro de 2020, a ordem de serviço, a cargo da empreiteira Queiroz Galvão, com pedido de Doria de entrega em 24 meses (setembro de 2022). Porém, o que se viu foram adiamentos. O projeto ainda passou pela extinção da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), substituída pela Artesp. Também houve “intercorrências” nas obras, segundo a EMTU, assim como quem circulava pelo Centro conviveu com um período demorado de tapumes em frente às lojas, poeira e trechos de ruas ou cruzamentos interditados, que eram liberados e depois fechados. A obra, com orçamento de R\$ 217,7 milhões, acabou custando quase o triplo, após aditivo de R\$ 395,18 milhões firmado com a concessionária BR Mobilidade para serviços não previstos, como sinalização, semáforos e wi-fi. Por exemplo, as catracas foram recém-instaladas, enquanto as portas de embarque e desembarque ainda serão colocadas. Talvez fosse mais prático ter seguido o exemplo do VLT do Centro do Rio de Janeiro, com estações sem catracas e abertas, passando-se o cartão no interior do vagão, sob checagem do fiscal. É possível que a experiência com a segunda fase do VLT traga ganho de eficiência com a expansão do modal até Samaritá, em São Vicente, conforme está previsto pelo Estado. Mas os atrasos em Santos também são uma oportunidade para refletir sobre a constância do estouro de prazos e de orçamentos nos investimentos de infraestrutura pelo Brasil. A demora os expõe à inflação, às altas dos juros, aos cortes de gastos públicos por déficit e à troca de governos. São questões que inflam o custo Brasil, que há décadas atormenta o País.