(Bruno Peres/Agência Brasil) Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que 1,8 milhão de consumidores pararam de pagar suas contas e dívidas devido às apostas on-line. Segundo o site do jornal O Estado de S. Paulo, a CNC apurou que, na disputa com as bets, o varejo deixou de vender R\$ 103 bilhões. Nas famílias mais pobres, a jogatina consome parcela maior dos salários e benefícios sociais, com relatos de corte nas despesas com alimentação, o que explica a perda de faturamento do comércio. No fim das contas, a movimentação de apostas, diz a CNC, atingiu R\$ 240 bilhões no ano passado. Esse fenômeno também chegou às empresas, que passaram a enfrentar problemas com funcionários que usam o intervalo de sua jornada para jogar e até fingem trabalhar com esse fim. Paralelamente, a CPI das Bets virou tema de memes nas redes sociais, com base nos depoimentos de influenciadores, até agora de pouca serventia para apurar eventuais crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. Aliás, as bets, segundo reportagens, já têm bancada defendendo seus interesses na CPI. E a disposição dos parlamentares de lacrarem na internet, em detrimento da investigação, tende a esvaziar a comissão. Pouco resultado poderá sair dessa CPI. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou que se não houver solução com problemas resultantes das bets, serão necessárias medidas radicais. Por outro lado, o próprio governo já tratou de arrecadar bilhões de reais com esse setor, com alíquota de 15% de Imposto de Renda retidos pelas plataformas. O dinheiro das apostas também se tornou fundamental para os times de futebol. Portanto, o sucesso desse segmento é indiscutível, assim como sua capacidade de envolver a sociedade. A reportagem do Estadão mostra que as apostas on-line se tornaram um problema trabalhista e também de eficiência das empresas. Estudo da Creditas Benefícios indica que, dos impactos da jogatina no ambiente de trabalho, ocorrem queda de produtividade, demissões e deterioração da saúde mental. Há quem tenha se endividado em quase R\$ 100 mil e jogador que abandonou o emprego para viver de apostas. Para especialistas, os empregadores precisam desenvolver estratégias de prevenção, como gerentes especializados em identificar sinais de vício. De acordo com a psicóloga Andréa Krug, esse hábito de jogar on-line, assim como nas drogas e álcool, gera gratificação instantânea e cria dependência. Como há apostadores em outros ambientes, como em casa, no transporte público e nas ruas, os governos deveriam investir em campanhas de conscientização e oferecer tratamento. Proibir parece ser a solução mais fácil, mas os jogadores logo buscariam formas de burlar esse cerco, pois os jogos estão em todo o mundo. O melhor é enfrentar esse problema de frente, ainda que seja uma tarefa muito difícil e de alto custo para atender muita gente que deve estar viciada.