(Reprodução/X) Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump repetiram na segunda-feira a “química” e o tom amistoso do encontro na Assembleia-Geral das Nações Unidas, no último dia 23. Mas, desta vez por telefone, o brasileiro avançou a conversa, solicitando o fim da tarifa sobre as exportações e as sanções aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Trump não abordou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, motivo para o Brasil estar, ao lado da Índia, como o país mais prejudicado pela guerra tarifária. Portanto, o mais recente encontro foi muito positivo para o Brasil, sinalizando que o País poderá ter bons resultados em breve. A torcida é para que Lula continue, nos discursos, sem ataques frontais aos EUA. E que o Itamaraty e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, que tem desempenhado papel de grande relevância nessa crise, trabalhem duro para conseguir concessões de Washington. O entorno político de Lula segue desconfiado sobre a possibilidade de revés. Isso porque Trump indicou o secretário de Estado, Marco Rubio, para as negociações com o Brasil. Rubio tem uma visão ideológica da América Latina e possui assessores radicais fiéis a Trump. Muito se falou da aparência retraída de Rubio durante a fala do republicano sobre Lula na ONU. Mas já se sabe que o primeiro contato nos EUA foi negociado, assim como a conversa entre os dois presidentes na segunda-feira, e Rubio deve ter participado de todo esse processo. Tudo indica que Trump foca mais os negócios. No entanto, o Palácio do Planalto quer derrubar as sanções aos ministros do STF, o que vai exigir uma discussão sobre o caso de Bolsonaro. Trata-se de um risco, lembrando que não se sabe se a Casa Branca fez um recuo tático ou se compreendeu que não tem cabimento interferir no STF. Além disso, entre os aliados de Lula há o temor de que Trump tente influenciar as eleições no Brasil. Frente a isso, não se deve deixar que a disputa política radicalizada contamine as negociações. Lula pediu o fim da taxa de 40% (aplicada após a tarifa inicial de 10%), algo difícil, pois não se viram concessões do tipo para aliados dos EUA ou alvos com poder de barganha, como a China. O Itamaraty alega que o Brasil tem déficit comercial com os EUA, mas a retórica da Casa Branca é mirar países que por décadas taxaram os EUA. O que tende a sair do papel será fazer concessões ao etanol de milho americano e os EUA isentarem café e carnes, o que faz sentido pelo efeito inflacionário sobre os americanos. Tributação das big techs, que Lula defende, e exploração de terras raras, que o Brasil tem aos montes, mas não possui tecnologia nem capital para explorar e refinar, devem ser decisivos para um acordo mais amplo. Depois do lema da soberania, Lula poderá se postar como negociador com bons resultados ao País, isso se tudo der certo. Mas fica o risco de ser acusado de fazer muitas concessões ou de não ter negociado o suficiente.