(Alexsander Ferraz/AT) Em 20 anos, 35% da população santista será formada por pessoas com mais de 60 anos. Atualmente, essa parcela representa 25%, porcentagem que já coloca a Cidade como a mais envelhecida entre todas as que têm mais de 100 mil habitantes. Dados do IBGE indicam que para cada grupo de 100 jovens até 14 anos, há 175,7 pessoas com mais de 60 anos, o chamado Índice de Envelhecimento (IE). Na sequência vêm cidades como Niterói (163,4), São Caetano do Sul (158,8), Porto Alegre (136,8), Nova Friburgo (132,3) e Petrópolis (129,1). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Jogar luz sobre esses dados foi o propósito do projeto Santos 500+, uma iniciativa do Grupo Tribuna que tem como foco entender como será a Santos ao completar 500 anos, em 2046. Começar o debate pelo entendimento de quem será o santista em duas décadas, quantos serão e qual o perfil etário dessa população é poder planejar a Cidade de forma mais adequada e em sintonia com quem estará vivendo e trabalhando nessa Santos do futuro. A constatação de que a curva etária está invertendo a pirâmide populacional, com cada vez menos crianças e jovens e uma população idosa crescente, permite preparar os setores da economia, o planejamento urbano e a criação de novos produtos e serviços de forma mais assertiva. Por outro lado, está longe de carregar um sentimento negativo ou pejorativo do envelhecimento. A transição demográfica é um fenômeno planetário e não só do Brasil ou de Santos. Países europeus e asiáticos enfrentam há décadas o desafio de planejar seus espaços e suas economias para uma população mais envelhecida. Lidar com esse quadro implica em muitas iniciativas, que dependem não só do poder público como também da iniciativa privada. Ao poder público, cabe adequar espaços urbanos para que sejam mais amistosos e de convivência, ajustar a rede de saúde para uma atenção maior à prevenção e saúde primária, ampliar a oferta de serviços que promovam a convivência, o lazer e a capacitação contínua. Ao setor privado, o desafio é enxergar para essa população como um ativo que pode, sim, contribuir no mercado de trabalho por mais tempo do que se imagina. Não haverá espaço para o etarismo nos ambientes corporativos. Por outro lado, também haverá a necessidade do trabalhador se manter ativo e em constante processo de aprendizagem. Santos pode ser exemplo inspirador para outros municípios brasileiros, que também enfrentarão essa realidade, embora em menor escala. Há um leque de oportunidades que precisam ser colocadas sobre a mesa. Santos já oferece condições diferenciadas aos idosos, especialmente na área dos esportes, da convivência social e favorecida por ser uma cidade plana. Agora, a tarefa é radiografar a cidade e entender o que falta para que essa nova realidade chegue com planejamento, investimentos nas áreas necessárias e participação ativa do setor privado e da sociedade civil.