(Marcello Casal Jr./ Agência Brasil) O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), prévia do Produto Interno Bruto calculada pelo Banco Central, indicou freio mais intenso no crescimento do País. Já o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) apontou arrefecimento acelerado da geração de empregos. Com esses dados, entre outros já divulgados pelas instituições de pesquisa, não restam dúvidas de que os juros altos, agora de 15% ao ano pela taxa Selic, impactam negativamente no País. Esses efeitos ainda devem embutir o tarifaço do presidente americano Donald Trump, de 50% sobre as exportações brasileiras. Caso as negociações não avancem e essa sobretaxa seja confirmada, os analistas do mercado estimam que haverá uma perda entre 0,3% e 0,6% no PIB. As últimas previsões indicam que ele crescerá pouco acima de 2% em 2025, mas com a taxa de Trump poderão ficar abaixo dos dois pontos percentuais. Mesmo que o Brasil consiga um percentual menor, haverá impactos, pois os países estão sendo taxados por Trump entre 25% e 40%. De acordo com o IBC-BR, a atividade econômica caiu 0,74% em maio em relação a abril, bem pior do que o esperado pelas projeções do mercado, de alta de 0,02%. Por setores, a agropecuária chamou a atenção pelo mês fraco, de queda de 0,31%. Em geral, a produção do agronegócio pesa mais no PIB no primeiro semestre e o recuo pode estar relacionado ao efeito estatístico da comparação com abril mais forte. Por outro lado, a indústria perdeu 0,52%. Já os serviços, que cresceram 0,39% no mês anterior, em maio patinou em 0,01%. Entretanto, o setor de serviços, o maior da economia, está com o ritmo de crescimento das demissões maior do que o das admissões, indicando uma desaceleração mais consolidada, segundo o jornal Valor Econômico. Os serviços são responsáveis por 70% da oferta de trabalho no País, portanto, seu desempenho é fundamental para definir os rumos do emprego e, consequentemente, do consumo e do próprio PIB. O saldo do setor em contratações e demissões nos últimos 12 meses até maio está em 851 mil vagas, o menor desde setembro de 2023. Apesar do revés nos indicadores, a economia não está em recessão (dois trimestres seguidos de PIB negativo) e as previsões não sinalizam para esse lado. O Boletim Focus, compilado do BC com as projeções de 100 economistas, indica que o PIB crescerá 2,23% neste ano e 1,89% em 2026, dados que aparentemente não contemplam a tarifa de Trump. O desemprego está em 6,2%, um percentual muito baixo. O principal motor da desaceleração é mesmo a Selic, que encarece o crédito para o investimento das empresas e o consumo da população, principalmente de bens mais caros, que precisam ser parcelados. E há ainda o alto endividamento das pessoas físicas e jurídicas, corrigido por juros mais altos. Nem toda a economia está exposta à sobretaxa dos EUA, mas caso ela se confirme será mais um fator de desaceleração do PIB.