(Pixabay) Dois índices econômicos importantes, o do comércio e o da prévia do Produto Interno Bruto (PIB), de novembro, surpreenderam e vieram acima das previsões. O primeiro refere-se à Pesquisa Mensal do Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que cresceu 1%, e o segundo, ao Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), com alta de 0,68%. O desempenho do varejo é atribuído à Black Friday, considerada a melhor desde 2021, segundo o IBGE. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na análise por setores, os que têm relação com essa liquidação sazonal, como móveis, eletrodomésticos, perfumaria e material de informática e comunicação, foram os que mais se destacaram. Já o IBC-Br apresentou expansão forte do lado de serviços e indústria, possivelmente estimulada pelo consumo forte do período. O mercado financeiro ficou desapontado com essas pesquisas, até esfriando os negócios na Bolsa na última sexta-feira, que recuou 0,46%. Isso porque a economia aquecida traz o risco de reanimar a inflação. Por isso, os economistas acham que dificilmente o Banco Central começará a reduzir os juros básicos a partir do próximo dia 28. Dessa forma, a taxa Selic tende a ficar elevada por mais tempo, travando a expansão do País. Boa parte desse problema tem relação com o Governo Lula, que mantém uma forte injeção de recursos na economia. É verdade que isso melhora a vida da população, mantendo um ritmo de crescimento razoável. Porém, gasto público acima das condições fiscais do País mantém os juros mais altos para financiar um Estado muito endividado. A previsão é que a aceleração dos gastos públicos para melhorar a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá impor uma piora nas contas federais em 2027, conforme os economistas. Por enquanto, o resultado fiscal não é dos piores, o que daria tempo para fazer uma arrumação agora, o que está descartado devido à disputa eleitoral. Por outro lado, a inflação arrefeceu, em 4,24% ao ano, abaixo do teto da meta do BC, de 4,5%, sinalizando que a Selic passará a cair neste semestre – exceto se surpresas acontecerem, como uma crise internacional. Aliás, a calmaria dos preços tem relação com a queda do dólar no ano passado, de 11%, um reflexo das políticas extremadas do Governo Trump. O cenário para a economia este ano é de um consumo estimulado pela isenção do Imposto de Renda para salários até R\$ 5 mil e pela expansão do Minha Casa, Minha Vida e de programas sociais. Mas, devido ao crédito ainda caro, o mercado de trabalho tende a desacelerar, atenuando o ingresso de mais recursos no consumo. A estimativa é que o Brasil cresça no máximo 2%, pouco abaixo de 2025, o que não é tão ruim. Mas o País continuará preso à tendência de alternar crises com períodos curtos de baixo crescimento. Reformas e uma presença menor do Estado na economia são fundamentais para reverter essa doença que desestimula o País.