(Pixabay) O Brasil é o vice-líder no ranking mundial de faculdades de Medicina. Com 305 unidades em 200 municípios, o País perde apenas para a Índia, que tem 400 e uma população seis vezes maior do que a brasileira. Entretanto, o que parece bom, na realidade não é. Afinal, cresce a preocupação com a qualidade dos médicos que todos os anos saem das salas de aula e chegam ao mercado de trabalho. Ciente do panorama, e com o objetivo de melhorar a formação dos profissionais, o Ministério da Educação (MEC) vai realizar um novo exame anual para avaliar a qualidade dos cursos de Medicina. A ideia do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) é definir um padrão unificado de análise, cujos resultados podem servir para acesso a programas de residência. Segundo o ministério, o exame vai unificar referências e conceitos de avaliação no âmbito do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de Medicina e da prova objetiva de acesso direto do Exame Nacional de Residência (Enare). O cronograma prevê que a prova seja aplicada ainda em outubro deste ano e que os resultados estejam disponíveis no início de dezembro. Cerca de 42 mil estudantes prestes a concluírem o curso devem participar da prova, que terá 100 questões objetivas de múltipla escolha em áreas como clínica médica, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia, pediatria, medicina da família e comunidade, saúde mental e saúde coletiva. Referência nacional em debates acerca do tema, o médico e escritor Drauzio Varella costuma esmiuçar os problemas da formação de novos médicos. De acordo com ele, no Brasil não existem professores com formação acadêmica em número suficiente. As instalações e os laboratórios de uma parcela das faculdades são inadequados para o ensino. A maior parte delas não dispõe de hospitais-escolas apropriados. Além disso, alunos com preparo deficiente são reprovados nos concursos para residência. Não bastassem todas essas dificuldades, a carreira na Medicina impõe um outro desafio a quem opta por ela. Após seis anos de formação, cinco de residência, como determina o padrão, e muitos recursos financeiros e tempo investidos, poucos médicos aceitam trabalhar em cidades distantes, que normalmente pagam menos do que os grandes centros. Pior para a população desses lugares, que acaba tendo de se contentar com um atendimento demorado e abaixo do necessário. Os avanços na Medicina são evidentes. A crescente expectativa de vida no Brasil e no exterior comprova que todo o investimento que busca o bem-estar e o prolongamento da vida é válido e deve ser estimulado. Porém, para que os benefícios científicos cheguem a todos, é preciso que os responsáveis pela aplicação das técnicas e dos medicamentos apresentem alto grau de excelência e constante atualização. Para isso, uma formação sólida é fundamental.