(Alexsander Ferraz/AT) Santos sempre se apresentou como uma cidade com um potencial turístico invejável. Infraestrutura hoteleira consolidada, rede de serviços estabelecida, localização estratégica e conectividade com São Paulo são atributos que colocam o Município em posição privilegiada para receber diferentes perfis de visitantes. Porém, como ressalta o estudo conduzido a pedido da Associação Comercial de Santos (ACS), o que falta é justamente a articulação entre esses elementos e a construção de uma estratégia integrada que transforme vantagens latentes em resultados concretos para a economia e para a sociedade. O levantamento, elaborado por equipe multidisciplinar, evidencia que o turismo é, após o Porto, a principal fonte de arrecadação de ISS da Cidade, e mostra como o setor é capaz de irradiar desenvolvimento para mais de 570 atividades diretas e indiretas. Em um contexto global de recuperação pós-pandemia, com o crescimento do turismo doméstico e o fortalecimento das tendências que valorizam experiências genuínas e sustentáveis, Santos tem a oportunidade de se posicionar como um destino diferenciado. A questão central é se haverá capacidade de organização e visão de longo prazo para que esse cenário se concretize. É verdade que as conclusões a que chega o estudo não são totalmente novas. A carência de integração entre Poder Público e iniciativa privada, a descontinuidade administrativa e a ausência de políticas de estado perenes são problemas apontados em diagnósticos anteriores. O mérito da pesquisa encomendada pela ACS, e conduzida no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Santos (Condesan), está justamente em reunir dados atualizados e complementá-los com uma escuta qualificada junto a empresários, gestores e trabalhadores da área. Essa combinação confere ao trabalho não apenas consistência técnica, mas também a dimensão humana de como as falhas estruturais repercutem no dia a dia de quem vive do turismo — seja como empreendedor, seja como funcionário. A criação do Condesan, em 2019, mostra-se cada vez mais um acerto. Ao lado da ACS, o conselho tem se consolidado como espaço de reflexão estratégica e proposição de caminhos para setores decisivos do futuro santista, como educação e tecnologia. O estudo sobre o turismo reitera a importância dessa instância e reforça o papel das entidades locais em mobilizar esforços para além do imediatismo de gestões de quatro anos. A etapa que se abre agora é ainda mais desafiadora: transformar diagnóstico em ação. O levantamento identificou mais de 320 medidas necessárias, abrangendo capacitação profissional, modernização tecnológica, comunicação, revitalização urbana e melhor integração entre os setores. São pontos que exigem planejamento consistente, com prazos e metas claros. Santos não pode desperdiçar, mais uma vez, a chance de colocar sua vocação turística no centro de uma estratégia sustentável de desenvolvimento. O momento é de compromisso, articulação e execução.