(Carlos Nogueira/ Arquivo AT) A homologação da licitação para a requalificação da área da Bacia do Mercado, na Vila Nova, em Santos, marca um importante avanço na tentativa de devolver vida a uma das regiões mais simbólicas da Cidade. Com investimento superior a R\$ 10 milhões, o projeto inclui coberturas modernas, deque acessível, nova pavimentação, calçadas, drenagem e quiosques, tudo em conexão com outras iniciativas urbanas, como o VLT e a esperada reforma do Mercado Municipal. No papel, trata-se de um plano promissor. A valorização do entorno, com destaque para as tradicionais catraias, representa não apenas um resgate histórico, mas também uma tentativa de transformar o espaço em um polo turístico. A Prefeitura de Santos acerta ao relacionar mobilidade, memória e identidade urbana como eixos da proposta, mas será preciso ir além da estética e da infraestrutura. Revitalizar um espaço urbano não é apenas construir ou reformar. É necessário gerar permanência, atratividade, segurança e vida real. Ou seja, o desafio vai muito além das obras. A ocupação efetiva e contínua precisa atrair a presença da iniciativa privada, e uma das áreas com perfil para aquele local pode ser o gastronômico. Mercados pelo mundo que se tornaram referências – como o Mercado de San Miguel, em Madri, ou o Borough Market, em Londres – só o conseguiram porque deram conta de atrair empreendedores, comerciantes criativos e investidores dispostos a transformar estruturas em experiências. Para isso, o poder público precisa mais do que promover obras: deve estimular o empreendedorismo com incentivos fiscais, facilitação de licenças, diálogo constante com o setor produtivo e uma política clara de ocupação dos espaços. A população que vive naquele entorno pode, inclusive, ser capacitada para trabalhar nos serviços gastronômicos que surgirem a partir da revitalização. A gastronomia pode ser um elo entre a história e o futuro do Mercado, criando uma conexão direta com moradores e turistas, gerando emprego e renda. Outro ponto essencial é a segurança pública. Sem ela, qualquer proposta fracassa. A sensação de insegurança ainda afasta moradores e visitantes das regiões centrais de Santos. Iluminação moderna, presença ostensiva de guardas municipais, câmeras de monitoramento e políticas sociais que contemplem a população vulnerável são medidas obrigatórias para a efetivação de qualquer transformação urbana. A requalificação da Bacia do Mercado é, sim, uma oportunidade, reforçada pelo movimento que já vem ocorrendo naquele território, como a criação da Casa das Culturas de Santos, a alguns quarteirões de distância. Esse conjunto de ações representa o início de um processo contínuo, que precisa ter resultados mensuráveis, escuta permanente da comunidade e articulação com os demais agentes da sociedade. Regenerar uma região exige compromisso com a vida urbana. Que o investimento feito traga frutos, e que o maior deles seja o retorno da urbanidade plena à Vila Nova e a seus moradores.