(Vanessa Rodrigues / AT) A ciência voltou a soar o alarme. Dados divulgados quarta-feira pelo Copernicus Climate Change Service, órgão de monitoramento climático da União Europeia, confirmam que 2025 foi o terceiro ano mais quente da história das medições globais, atrás apenas de 2024 e 2023. Não se trata de um dado isolado nem de um fenômeno pontual: os últimos anos formam a sequência mais quente já registrada, evidenciando que as mudanças climáticas deixaram de ser uma previsão distante e passaram a integrar o presente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Embora o levantamento do Copernicus seja global, seus efeitos são sentidos de forma muito concreta no Brasil. O verão do ano passado já figura entre os mais quentes da história do País, com ondas de calor prolongadas, recordes de temperatura em diversas regiões e impactos diretos sobre a saúde da população, o abastecimento de água, a produção de alimentos e o sistema elétrico. O verão de 2026, embora esteja apenas no começo, já oferece pistas concretas e diárias de que também vai figurar no topo do ranking dos mais tórridos da história. A crise climática, porém, não é democrática. Ela aprofunda desigualdades já existentes, e é nesse ponto que o debate sobre justiça climática se impõe: os grupos que menos contribuíram para o aquecimento global são justamente os que mais sofrem com seus efeitos. Moradias precárias, falta de arborização, acesso irregular à água, transporte público insuficiente e serviços de saúde sobrecarregados ampliam os riscos para populações vulneráveis. Na Baixada Santista, esse cenário ganha contornos ainda mais sensíveis. Região costeira, densamente urbanizada e marcada por contrastes sociais, ela convive simultaneamente com calor extremo, ilhas de calor urbano, risco de alagamentos, elevação do nível do mar e pressão sobre áreas ambientalmente frágeis. Comunidades em áreas de encosta, palafitas ou bairros com infraestrutura limitada sentem primeiro e com mais intensidade os impactos climáticos, seja na forma de doenças associadas ao calor, seja na perda de moradia ou renda. Diante desse quadro, adaptar-se deixou de ser uma escolha: é uma urgência social. Isso exige políticas públicas permanentes e integradas, que vão desde investimentos em saneamento, habitação digna, mobilidade e áreas verdes até o fortalecimento da atenção básica em saúde, da defesa civil e dos sistemas de alerta. Ao mesmo tempo, é fundamental avançar na redução das emissões de gases de efeito estufa, com transição energética, planejamento urbano sustentável e proteção efetiva dos biomas. Os dados do Copernicus não são apenas estatísticas globais. Eles dialogam diretamente com o cotidiano brasileiro e regional. Dificilmente o quadro será revertido para patamares pré-revolução industrial, e ações de redução adotadas agora só terão efeitos em décadas. Adotar medidas mitigadoras e de resiliência é o caminho mais urgente, a ser inserido no radar de todos os governos.