(Gustavo Mansur/Palácio Piratini) Em 2024, os desastres naturais causaram perdas de US\$ 368 bilhões e, no ano passado, US\$ 224 bilhões, resultando, respectivamente, em 11 mil e 17,4 mil mortes. Entre as tragédias, enchentes, tempestades severas, terremotos e incêndios florestais – neste último caso, apenas o de Los Angeles, há um ano, resultou em prejuízo de US\$ 52 bilhões. As estimativas são da resseguradora alemã Munich Re, que se baseou em dados de governos, organismos científicos e imprensa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse balanço mostra em boa parte os efeitos catastróficos após 12 anos de aquecimento acelerado, resultando em fenômenos climáticos. Entretanto, não se deve observar apenas a ruína financeira de curto prazo, mas também os mortos, acidentados e traumatizados, além de inúmeras doenças e a destruição do lar das vítimas. Estudos indicam que o Brasil está entre os países que mais sofrerão com as mudanças climáticas, e pelo jeito os exemplos já estão em curso. Como nas enchentes de maio e junho de 2024 no Rio Grande do Sul, nos deslizamentos após um temporal assustador na Baixada Santista em março de 2020, poucos dias antes do começo oficial da pandemia, e incêndios que se espalharam pelo Interior há um ano. A Região Sul está mais exposta a esses fenômenos. Entre os dias 9 e 10 passados, São José dos Pinhais (PR) foi atingida por um tornado com ventos de 180 km/h, São Francisco do Sul (SC) enfrentou uma tromba d’água e 18 cidades gaúchas foram varridas por um ciclone extratropical, resultando em enchentes. Os tornados não são uma novidade no Sul do País, mas ficaram mais frequentes e intensos, segundo organismos de pesquisa do clima. O mesmo se pode falar das enxurradas no Sudeste e litoral da Bahia a Pernambuco. Cidades ou uma região sofrem com chuvas agressivas de poucas horas, resultando em inundações nunca antes vistas pelos moradores. Bairros são facilmente inundados, pontes despencam e a correnteza mata moradores despreparados para agir nas emergências. Sem terremotos e furacões, o Brasil não aprendeu a reagir contra os fenômenos da natureza. Com milhões morando precariamente em encostas, as chuvas mais fortes trazem elevado risco, principalmente para os pobres. Além de dar prioridade para garantir moradias em áreas mais seguras, as cidades, os estados e a própria União precisam desenvolver programas de prevenção e protocolos de emergência. Na parte da liberação de recursos de forma expressa, pelo menos já há mecanismos para esse fim. O caso de 2024 do Rio Grande do Sul impôs a necessidade de elaborar planos e protocolos. Porém, naquele estado, é provável que muita gente ainda não tenha conseguido recuperar sua casa e que bairros continuem em áreas sob risco de enchentes. A tendência é que extremos climáticos ampliem a destruição nas cidades. Medidas já estão em discussão na sociedade e no Congresso, e soluções contundentes ainda são necessárias.