(FreePik) Após cada comunicado das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, os economistas estudam minuciosamente esses textos para tentar decifrar alguma mudança no ritmo da taxa Selic. Na última quarta-feira, o BC manteve a Selic em 15% ao ano, para desespero do governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o PT e até o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamaram recentemente dos juros. Entretanto, a gestão federal é parte do problema ao manter o ritmo acelerado de gastos, que aquece a inflação por meio da injeção de dinheiro na economia. Como resultado desse processo, os preços sobem por pressão do consumo, ampliando a perda do poder aquisitivo da população. Aliás, o aperto no bolso tirou votos dos democratas nos EUA, ajudou a direita europeia nas urnas e deixou Lula impopular no primeiro semestre. Os bancos centrais não têm a missão de cuidar da desenvoltura dos governos nas pesquisas, e sim a de serem os guardiões das moedas, apesar de também errarem, como demorar a reagir frente a uma inflação crescente. No fim das contas, a independência dos BCs é necessária, inclusive no Brasil. Ao manter a Selic em 15%, a autoridade monetária repetiu a promessa de que elevará a Selic se necessário e que a política monetária permanecerá restritiva para levar a inflação à meta buscada pelo BC, de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima. Hoje o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 5,17% em 12 meses, com a possibilidade, segundo as previsões, de chegar a empatar com 4,5%, o teto esperado pelo BC. Mas, diferentemente das reuniões anteriores, o texto do BC reconheceu a desaceleração da economia e da inflação. A autoridade monetária, para enfrentar a alta dos preços, sobe os juros para encarecer o crédito, desestimulando o consumo e os investimentos. Sem demanda, os preços caem. Os efeitos não são nada bons por haver risco de demissões e até recessão. O Brasil já tentou medidas requentadas, como congelar preços, fiscalizar e multar o setor produtivo, que obviamente fracassaram. Para os economistas, o discurso mais suave do BC, de que os juros altos já causaram estragos na economia, indica que a instituição entendeu que sua política rigorosa obteve resultados e que os juros devem começar a cair em breve. Como não houve menção a dezembro, próximo encontro do Copom, a queda para valer ficará para o próximo ano, talvez janeiro ou março. Para isso, não podem ocorrer surpresas, como disparada do dólar, fenômenos naturais que prejudiquem o agronegócio ou alguma tensão relacionada às eleições. Mas se o clima atual for mantido, é esperado que o BC comece a fazer cortes tímidos de 0,25 ou 0,50 ponto percentual, causando uma expectativa de crescimento na economia na segunda metade de 2026 e em 2027, o que ajudaria o início do próximo governo, do próprio Lula ou da oposição.