(Pedro Rezende/Prefeitura de Guarujá) A Baixada Santista está às vésperas de um novo salto em seu desenvolvimento econômico. As obras do Aeroporto Metropolitano de Guarujá caminham para a conclusão e a operação do terminal deve trazer não apenas novas rotas e conexões, mas também uma relevante demanda por mão de obra técnica e especializada, com conhecimentos em logística, segurança aeroportuária, aviação civil e gestão de transportes. Simultaneamente, a região testemunha uma crescente expansão do setor de energia solar. Municípios como Praia Grande, Cubatão e Itanhaém registram aumento significativo na instalação de sistemas fotovoltaicos, o que demanda engenheiros eletricistas, técnicos em energia renovável e profissionais de manutenção altamente capacitados. Um mercado em plena ascensão, alinhado às metas globais de descarbonização e com enorme potencial de geração de empregos verdes. O setor portuário, coração econômico da região, passa por uma silenciosa revolução digital. Ferramentas de automação, inteligência artificial, big data e internet das coisas já fazem parte do dia a dia dos terminais. A modernização exige trabalhadores preparados para operar, desenvolver e manter sistemas de alta complexidade. Soma-se a isso o crescimento da agenda ESG, que impulsiona a busca por profissionais de compliance, auditoria, governança e gestão ambiental – habilidades que passam a ser indispensáveis em todos os setores produtivos. E, no horizonte, a maior obra de infraestrutura da região: o túnel submerso ligando Santos a Guarujá. Um projeto bilionário que movimentará a construção civil por anos e que exigirá engenheiros, geólogos, técnicos em edificações, operadores de máquinas pesadas e profissionais da área ambiental, desde a fase de planejamento até a execução e manutenção da obra. O ponto comum entre todas essas transformações é claro: a urgente necessidade de qualificação. O relatório sobre o futuro do emprego divulgado neste ano pelo Fórum Econômico Mundial, em parceria com a Fundação Dom Cabral, alerta que 44% das habilidades atuais dos trabalhadores devem mudar nos próximos cinco anos. Isso significa que empregos tradicionais serão transformados ou substituídos por funções novas, mais complexas e com maior exigência tecnológica e ambiental. Diante desse cenário, o setor educacional – escolas técnicas, universidades, centros de formação e instituições públicas e privadas – precisa agir de forma coordenada, rápida e estratégica. A região carece de políticas de formação voltadas para os setores emergentes, com currículos que dialoguem com as demandas reais do mercado. A oferta de cursos técnicos, tecnológicos e de graduação precisa ser ampliada e ajustada com foco na empregabilidade futura. É hora de governo, iniciativa privada e instituições de ensino se unirem em torno de um pacto regional pela qualificação. Sem isso, a região perderá oportunidades, empregos e investimentos.