(Reprodução) Principal causa de demência neurodegenerativa no mundo, com mais de um milhão de casos somente registrados no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, a doença de Alzheimer é um dos grandes males da vida contemporânea, atingindo idosos, na maioria das vezes, e também pessoas de meia idade em alguma quantidade. Trata-se de um mal que não acomete apenas o paciente, mas também aqueles que estão à volta, obrigados a mudar a rotina e conviver com uma dura realidade à medida que os sintomas da pessoa com a doença se agravam. Por isso, é de se comemorar a notícia de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento. Após análise técnica do órgão governamental, ficou comprovado que o medicamento Leqembi tem potencial para refrear a destruição do cérebro provocada pela doença. O remédio, produzido com o anticorpo lecanemabe, é indicado para retardar o declínio cognitivo das pessoas que já apresentam demência leve causada pela doença. Conforme a Anvisa, o lecanemabe reduz as placas beta-amiloides no cérebro – o acúmulo dessas placas é uma característica definidora do Alzheimer. O medicamento, administrado por infusão, teve a eficácia analisada em um estudo que envolveu 1.795 pessoas com Alzheimer em estágio inicial. Para efeito de estudo, elas apresentavam placas beta-amiloides no cérebro e receberam o Leqembi ou placebo. Após 18 meses de análise, houve mudança significativa nos sintomas. A avaliação se deu a partir de uma escala de demência denominada CDR-SB, utilizada para testar a gravidade da doença de Alzheimer em pacientes. A escala inclui questões que ajudam a determinar o quanto a vida diária do paciente foi afetada pela deficiência cognitiva. Segundo o estudo, no subgrupo de 1.521 pessoas, os pacientes tratados com o novo medicamento apresentaram um aumento menor na pontuação CDR-SB do que aqueles que receberam placebo. Desde 2023, o medicamento já é aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, e comercializado no país. Agora, passa a estar disponível também no Brasil. Por ora, nada foi falado sobre preço e acesso da população ao Leqembi. Porém, como toda novidade, o remédio deve ser lançado com um valor inacessível para a maior parte daqueles que necessitam do tratamento. Com o passar do tempo, contudo, é de se esperar que a produção em larga escala e a subvenção – ao menos em alguma medida – por parte do governo tornem os preços viáveis, permitindo que o medicamento chegue a quem dele precisa. Apesar da aprovação do Leqembi, a cura para o Alzheimer ainda está longe de se tornar uma realidade. Entretanto, não se pode ignorar qualquer progresso para a redução dos danos causados por uma doença que cresce à medida que a longevidade da população avança e exige uma nova forma de encarar o problema.