[[legacy_image_314365]] Acerta a Prefeitura de Santos em jogar luz sobre a população que vive em cortiços na área central, mas é relevante pontuar: que a iniciativa não seja mais uma a figurar, depois de concluída, nas gavetas do Executivo, à espera dos próximos passos que dêem efetividade às políticas públicas para essa faixa da população. A iniciativa em questão é o mapeamento anunciado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano que, segundo justificou, vai subsidiar o novo Plano Municipal de Habitação. A intenção é saber quantas são as moradias precárias, quantas pessoas vivem ali e quais são as condições de habitabilidade de cada uma. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! É possível que os técnicos da empresa contratada, responsáveis por fazer o levantamento, se surpreendam ao cruzar a porta de entrada desses imóveis. Diferentemente das palafitas e das habitações em áreas de risco nas encostas dos morros, os cortiços são, em geral, feitos de alvenaria, dotados de rede de água e esgoto e fiação elétrica, já que a maioria é formada por antigas residências e comércios, construídos em uma época de brilho e relevância econômica e social dos bairros que formam a região central. O esvaziamento desse trecho da Cidade, promovido pelo deslocamento do eixo econômico para a zona leste, transformou palacetes em casas degradadas e insalubres. Quem passa pelas vias que compõem a área habitada da região central não tem ideia de como são os cortiços por dentro: pouca ou nenhuma ventilação, umidade constante, riscos variados com rede elétrica exposta ou feita de ‘gatos’, espaços acanhados para muitas pessoas, em geral divididos em ambientes multi-familiares. Ali proliferam vetores para a disseminação de doenças respiratórias e outras patologias. Importante que os técnicos encarregados do censo avaliem o ambiente externo dos cortiços, constatando a falta de espaços coletivos para o lazer das crianças, como praças, largos, quadras esportivas e parques. Abrir espaço para o debate sobre os cortiços é tão imprescindível quanto o que já se tem sobre as palafitas da Vila Gilda ou as áreas de risco nas encostas, por isso a relevância sobre o censo ora proposto pela Prefeitura. Se a intenção é inserir essa população em programas habitacionais futuros, importante destacar que as condições precárias não dizem respeito, necessariamente, à mudança de endereço, já que essas moradias podem ser melhoradas no sentido de devolver a essas famílias a dignidade de um lar. Gentrificação é um processo pelo qual esses moradores não precisam passar, a menos que o imóvel onde vivem não guarde nenhuma condição de ser melhorado. A Prefeitura vem desenvolvendo obras e projetos que pretendem valorizar a região central, e a expectativa é de que isso devolva aos bairros a projeção que já tiveram no passado. O melhor desenho será conciliar revitalização histórica, mobilidade urbana, segurança. retomada do comércio, criação de espaços urbanos de convivência e valorização dos imóveis para quem já vive neles.