(AdobeStock) Puxada pela invasão de marcas chinesas, a venda de carros elétricos e híbridos – que misturam motor elétrico e a combustão – no Brasil, cresceu 26% em relação aos emplacamentos registrados em 2024. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que relata a comercialização de 223.192 veículos eletrificados em 2025, contra 177.538 em 2024 e 93.927 em 2023. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Diante da nova realidade do mercado, no ano passado, começaram a operar fábricas de três marcas em solo brasileiro. A primeira foi a chinesa BYD, que inaugurou sua planta em Camaçari (BA), onde a Ford encerrou atividades – a marca norte-americana se dedica exclusivamente à importação no território nacional. Também vinda da China, a GWM assumiu a unidade fabril que antes pertencia à Mercedes-Benz, em Iracemápolis (SP). Já a tradicional General Motors tomou rumo diferente ao terceirizar a produção de seus modelos elétricos para a Comexport, em Horizonte (CE). Sem dúvida, empregos diretos e indiretos foram e serão gerados. Além dos contratados para atuar dentro da unidade fabril, toda a cadeia de autopeças e componentes eletrônicos vai se beneficiar da nova empreitada. Assim como os municípios, que verão o setor de comércio e serviços se expandir. Entretanto, para que o mercado de veículos elétricos se estabeleça de fato, um longo caminho ainda precisa ser percorrido em termos de infraestrutura. Hoje, conforme a ABVE, 1.363 municípios brasileiros contam com eletropostos. Em novembro de 2024, esse número era de 1.263. O crescimento é maior no Norte, Centro-Oeste e Nordeste. Dos 14.827 eletropostos existentes, 84% (12.397) oferecem recarga lenta, enquanto 16% (2.430) são carregadores rápidos. Outra questão a ser analisada – se não agora, inevitavelmente no futuro, quando a frota atingir patamares mais significativos – é o consumo de energia para uso nos automóveis. Em países nos quais os veículos elétricos têm maior participação, como a China, houve um aumento no consumo de energia nos horários de pico, o que forçou investimentos em expansão energética. O desenvolvimento de tecnologias de recarga e horários de consumo diferenciados se tornaram primordiais. No Brasil, antes mesmo da chegada de novas tecnologias, algumas regiões enfrentam problemas na distribuição de energia. Com o cenário atual, é de se imaginar que faltará energia mesmo com o aumento da produção das energias eólica e solar. A consolidação do carro elétrico também passa pela própria evolução do produto, a maioria ainda com baixa autonomia e longo tempo para a recarga da bateria, o que inviabiliza percorrer longos trajetos. Nesse ponto, os híbridos acabam levando vantagem por causa do motor a combustão, que assume o papel principal de mover o veículo e deixa a propulsor à eletricidade como uma espécie de auxiliar. Outro entrave são os preços elevados, em média, 30% a 40% maiores do que os carros convencionais.