(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Cubatão volta ao cenário mundial, desta vez como símbolo de superação ambiental. A cidade, que nas décadas de 1970 e 1980 ganhou notoriedade internacional pelos altos índices de poluição e degradação, hoje se apresenta como exemplo de recuperação. A mesma Cubatão que um dia foi chamada de Vale da Morte é, agora, a única cidade paulista convidada a integrar a área oficial de negociações da COP30, em Belém (PA) — a chamada Zona Verde da conferência do clima da ONU. A história da recuperação ambiental de Cubatão é um capítulo marcante não apenas para a Baixada Santista, mas para o Brasil. No auge da crise, o ar da cidade apresentava níveis de dióxido de enxofre que superavam em até 10 vezes o limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As encostas da Serra do Mar, devastadas pelos gases e pela chuva ácida, exibiam enormes cicatrizes — cerca de 3.500 hectares de vegetação destruída. Era um retrato dramático da industrialização sem controle ambiental. Contudo, a partir de meados dos anos 1980, um amplo esforço conjunto entre governo, empresas e comunidade iniciou o que se tornaria uma das maiores experiências de recuperação ambiental urbana do planeta. O Programa de Controle de Poluição de Cubatão exigiu investimentos das indústrias locais e resultou na redução de 90% das emissões atmosféricas em menos de uma década. As encostas antes nuas foram reflorestadas com espécies nativas, e o verde voltou a cobrir a Serra do Mar. Estudos da Cetesb registraram, entre 1990 e 2000, a regeneração natural de mais de 2 mil hectares e o retorno de fauna que havia desaparecido. Essa virada demonstra que é possível — e necessário — mitigar os efeitos adversos e reconstruir a harmonia entre desenvolvimento e meio ambiente. A presença de Cubatão na COP30 carrega um simbolismo poderoso: mostra que nenhuma cidade está condenada à degradação e que políticas públicas consistentes, baseadas em ciência e participação social, podem reverter danos antes tidos como irreversíveis. É igualmente importante lembrar que a Baixada Santista, como região metropolitana, tem muito a contribuir para o debate global sobre o clima. Santos, com seus projetos de adaptação costeira; Praia Grande, com o manejo sustentável de resíduos; e Bertioga, com a proteção de seus manguezais, representam iniciativas que também mereceriam espaço na conferência. O mundo já não discute mais “como evitar” as mudanças climáticas — mas “como enfrentá-las”. O desafio agora é mitigar impactos, garantir justiça climática e construir cidades resilientes, especialmente para as populações mais vulneráveis. Ao mostrar sua trajetória na COP30, Cubatão levará ao mundo uma mensagem que nasceu da parceria entre diversos entes: é possível mudar o destino ambiental de um território quando há compromisso coletivo com as futuras gerações.