(Tomaz Silva/Agência Brasil) O Brasil atingiu na última sexta-feira a marca de 9 milhões de turistas estrangeiros neste ano, conforme a Embratur. Apesar do resultado ser muito inferior aos dos líderes dessa indústria, o número reforça a importância do setor para a economia e por superar em 40% o recorde anterior, em 2024, e em 30% a meta para 2025, de 6,9 milhões, traçada pelo Governo Federal. A Embratur estima ainda que o segmento internacional injetou US\$ 7,17 bilhões no País, no ano, sem ainda contar com este mês, faltando pouco para ultrapassar 2024, com US\$ 7,3 bilhões. Aliás, a cifra equivale à metade do que o Brasil faturou com a exportação de café da safra 2024-2025. O aumento do número de turistas se configurou mesmo com a valorização do real frente a moedas de países com economias fortes, encarecendo a permanência desses estrangeiros no Brasil. Possivelmente, as redes sociais, com as quais os brasileiros são muito atuantes, a presença de atrações, como Lençóis Maranhenses, em postagens da imprensa do exterior, e a ação de influenciadores parecem ter colaborado. Porém, o País ainda patina no uso do marketing, que mexicanos e tailandeses exploram com eficiência há bons anos. O crescimento do turismo internacional no Brasil contou com a participação principal da Argentina. Com sua recuperação econômica, o País foi responsável por um terço do total de visitantes, com 3,1 milhões, alta de 82% sobre o ano passado. Chilenos, americanos, uruguaios e paraguaios completam a sequência das nações que mais enviam turistas ao Brasil. França, Alemanha, Portugal, Itália e Reino Unido aparecem em seguida, mas com dados ainda tímidos, considerando o poder aquisitivo de seus habitantes. Falta investir nesses mercados. O Brasil tem potencial para expandir seu turismo pela diversidade de atrações de Norte a Sul, sol o ano todo no Nordeste e a força do Rio de Janeiro e de Foz do Iguaçu. Porém, há muito trabalho a ser feito, principalmente em relação a parques ecológicos conhecidos mais pelos brasileiros, e convencer muito mais estrangeiros a descobrirem a Amazônia. A violência é apontada como motivo para travar o turismo no Brasil. Contudo, o México, que não fica atrás em criminalidade, foi o sexto país mais visitado em 2024, com 42 milhões de turistas, segundo o relatório ONU Turismo. A proximidade a um país com grande emissão de viajantes, como EUA, faz toda a diferença, enquanto a multiplicação de destinos já consolidados na Europa dificulta a disputa desse mercado pelo Brasil. Mas falta aumentar a atração de asiáticos, que hoje vão aos milhões para Tailândia, Indonésia e Caribe, e ampliar a oferta de voos, reduzindo o custo dos deslocamentos no Brasil, e melhorar as viagens pelo Interior, feitas em rodovias, sem ferrovias. Os avanços devem ser comemorados, como a Embratur fez nesta semana, mas não se deve esquecer de realizar melhorias para o País atingir a dimensão que merece nesse setor.