Foto ilustrativa (Reprodução/Instagram/Donald Trump) O comércio exterior brasileiro encerrará o ano de forma menos traumática do que o projetado, após o tarifaço dos Estados Unidos. A guerra comercial do Governo Donald Trump, totalmente equivocada, gerou grande apreensão nos exportadores e muito pessimismo sobre seus efeitos mundialmente, como uma replicação da estratégia tarifária americana por outros países – o que se tem por enquanto é de uma imitação feita pelo México e os EUA recuando de várias de suas sobretaxas para reduzir a inflação, problema bem explorado por democratas nas eleições intermediárias municipais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o Brasil reduziu suas exportações para os EUA menos do que se esperava e soube redirecionar para outros países parte de suas mercadorias tarifadas em 50%. E ampliou suas vendas externas totais, em 1,8%, de janeiro a novembro, sobre igual período de 2024, para US\$ 317 bilhões. O tarifaço foi atenuado por 11 setores que conseguiram exportar mais aos EUA, como aviões, carne bovina, suco de laranja e motores elétricos. Já açúcar, óleos essenciais, gasolina e tubos de ferro fundido sofreram as piores baixas, entre -49% e -70%. Deve-se reconhecer a estratégia do governo em sintonia com o setor privado, que foi contra retaliar os EUA. O Brasil se tornou um dos países mais atingidos pelo tarifaço devido ao componente político, com o qual o presidente Donald Trump tentou impor ao País uma ingerência, exigindo reverter o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Porém, houve uma aproximação entre Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto empresários brasileiros e importadores americanos atuaram nos bastidores por uma distensão. Mas um quinto das exportações brasileiras segue sobretaxado. Contudo, não deve haver festa precipitada sobre a reação comercial brasileira. A imposição tarifária de 50%, a mais elevada, começou em agosto, com muitos exportadores antecipando suas vendas no primeiro semestre para escapar da medida. Além disso, a Argentina comprou mais do Brasil por ter melhorado sua economia. O lado positivo é que o Brasil já mantinha um comércio amplo com a China e, nesse esforço por novos mercados, passou finalmente a fazer mais trocas com a Índia, além de expandir as vendas para o Oriente Médio, Holanda, Itália, Canadá e Egito. A previsão é de que a balança comercial encerrará o ano perto de US\$ 65 bilhões, abaixo dos US\$ 74 bilhões de 2024. A queda é explicada mais pelo aumento das importações, reflexo do aquecimento do mercado interno, desvalorização do dólar e recuo de algumas cotações do agronegócio. O Brasil soube reagir positivamente assim que desafiado. Se o País conseguir adotar como regra essa linha mais ativa para ampliar suas vendas, as exportações brasileiras poderão dar saltos mais expressivos de forma prolongada.