(Imagem ilustrativa/Alexsander Ferraz/AT) Bastou um dia de calorão, no último domingo, para a população da Baixada Santista sentir de volta os efeitos de um clima tórrido, que os cientistas dizem que vai se tornar cada vez mais comum e extremo. Nessa data, uma situação específica chamou atenção: o desmaio de uma criança em um ônibus intermunicipal da linha 936, mal-estar que os passageiros atribuíram ao calor e à ausência de ar-condicionado, conforme A Tribuna publicou ontem. “Tentamos abrir as janelas e a tampa de cima do coletivo, mas parecia impossível respirar”, contou um passageiro. Em Santos, o transporte público já está climatizado, mas no caso da rede intermunicipal, sob responsabilidade da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a instalação de ar-condicionado é parcial. A antiga Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), cujas atribuições foram substituídas pela Artesp, havia prometido entregar 100 veículos equipados com o sistema de resfriamento até o fim do ano passado. Entretanto, os passageiros continuam passando maus momentos nos veículos. Procurada por A Tribuna, a Artesp respondeu que efetivamente 100 ônibus foram trocados por veículos com ar-condicionado, com a promessa de que outros 45 serão entregues até dezembro. O problema é que na Baixada Santista, pelo sistema da Artesp, são 468 coletivos em operação. Portanto, o desconforto climático vai persistir para pelo menos dois terços da frota. O que impressiona é o Governo do Estado ainda permitir que ainda circulem pela Baixada Santista ônibus sem a climatização, lembrando que a temperatura próxima aos 40°C é comum em qualquer verão, tornando-se mais constante durante o fenômeno El Niño, que vigorou até meados do ano passado. Tal situação no transporte público da Baixada Santista contraria o discurso das autoridades, principalmente em período eleitoral, e dos especialistas em trânsito sobre a importância de investir nos coletivos por motivos que vão desde a sustentabilidade até melhorar o tráfego nas cidades médias e grandes. Em tempos de competição do sistema público com aplicativos de transporte individual ou com a dificuldade dos mais pobres de pagarem as passagens, especialistas e representantes das prefeituras discutem subsidiar as viagens ou investir na gratuidade. O principal entrave é o custo, que envolve manter a frota renovada e garantir a acessibilidade. Outro problema é a despesa com combustível, que se torna sério problema quando há a valorização do petróleo. Existe ainda a alternativa de migrar o sistema para energia limpa, o que inicialmente embute muito investimento. Admite-se que a climatização também pesa nas contas do transporte, pois são aparelhos que exigem manutenção e trocas constantes. Mas esse conforto é necessário para a saúde da população e também para ajudar a tirar o excesso de veículos das ruas.