(Imagem Ilustrativa/Pixabay) Em seus dois anos no Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski alertou para o crescimento das facções e apresentou projeto para realizar mudanças importantes no combate à criminalidade. Apesar de grandes operações contra as organizações criminosas, com excelentes resultados, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal não conseguiu tirar muitas das suas propostas do papel. Isso porque seu ministério foi travado pela polarização política, que contaminou o tema da violência urbana. Enquanto a direita defende mais prisões e penas duras, a esquerda segue com a visão de que o problema tem raiz na pobreza, exigindo políticas públicas. A disputa por esse tema é eleitoreira. Mas, na prática, nenhum lado conseguiu resolver essa crise e a população segue à mercê de bandidos nas ruas e nos meios digitais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Governo Lula errou ao demorar para encaminhar ao Congresso o projeto Antifacção e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. No lugar de passar um tempo interminável em discussões, o certo era ter apresentado logo os textos, expondo-se a críticas e ataques, que, com certeza, ocorreriam. Porém, veio a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, em 28 de outubro, com mais de cem mortos, que teve apoio popular e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a chamando de “matança”. Em reação, os projetos passaram a tramitar, com a PEC sendo entregue pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que queria fustigar Lula, ao deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP). O parlamentar revisou o texto e a discussão foi envolvida em uma grande e interminável briga. No fim, mediante inúmeras mudanças, a solução foi adiar a votação para este ano, tornando-se um daqueles temas que ficam para depois do Carnaval. É uma incógnita se haverá quórum para votá-lo. Isso porque a PEC, na verdade, é uma minirreforma da segurança pública, sem consenso para sair do papel. O mais fácil seria fatiá-la, votando ponto a ponto. O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, que também vai deixar o cargo, disse ao jornal Valor Econômico que a visão de endurecimento das penas e da letalidade é a dos últimos 40 anos, que não impediu o fortalecimento das organizações criminosas. Mas ele diz ainda que a esquerda “também precisa mostrar a cara e gostar da pauta (da segurança pública)”. Lula escolheu para ministro o então advogado da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva, que veio do Ministério Público e foi titular da Justiça por curto período no Governo Dilma Rousseff. Ao longo dos anos, ele teve uma atuação técnica, mas colada à área política. Com um ano de Governo Lula, não há tempo para mudanças profundas no setor, exceto se o novo ministro conseguir aprovar a PEC com o texto do Executivo, o que é difícil. O que se prevê é que até as eleições a briga tende a se aprofundar, sem benefícios à sociedade no curto prazo.