Imagem ilustrativa (Freepik) Com a taxa Selic em 15% ao ano e suave recuo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o juro real do Brasil está em quase 10% ao ano, o segundo maior do mundo, atrás de 14% na Turquia e à frente de Rússia (7,6%). Nas economias mais estáveis, esse índice varia entre zero e 1,2% e fica até negativo, em -3,2% na Holanda. Piora do quadro fiscal (déficit das contas públicas e endividamento em expansão) e problemas estruturais, como tributação elevada e insegurança jurídica, estão por trás desse percentual tão elevado, segundo analistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O juro real é a diferença entre a Selic e a inflação – no Brasil, 15% menos 5,23%, resultando em 9,77%. E como a primeira sobe para enfrentar a segunda, isso significa que um percentual muito alto de juro real em um país mais do que nos outros indica que há um esforço maior para combater a subida dos preços. Portanto, o governo deveria tentar corrigir essa distorção, cortando gastos. Mas não o faz por motivos eleitorais, pois isso envolveria revisar as despesas da Previdência e dos programas de transferência de renda, entre outras áreas. A gestão petista questiona essa cobrança pelo impacto na população que mais necessita de apoio estatal. Mas ignorar o estrangulamento das contas tende a impor soluções mais drásticas, ameaçando o futuro dos programas sociais. Um dos reflexos do juro real de quase dois dígitos é inviabilizar os investimentos, desde os da infraestrutura, que exigem muito crédito, como os de consumo de bens pela população, que precisam ser financiados, como imóveis e veículos. No Brasil, o problema é maior ainda porque a taxa elevada perdura por muito tempo, viabilizando apenas projetos de alta rentabilidade, como afirma a reportagem. No Governo Lula, parte de seus apoiadores questiona o corte de gastos, algo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez de forma pragmática em seu primeiro mandato, com sucesso. Essa posição ganhou espaço político após a persistência do crescimento da economia, mesmo com uma Selic de 15%. Porém, esse avanço reflete a injeção de recursos estatais na economia via robustez dos programas sociais, financiamento habitacional com taxas abaixo da Selic e investimentos da Petrobras. Há, ainda, movimentos que favorecem paralelamente, como balança comercial expressiva e dólar em queda, que reduzem os custos das empresas. O crescimento da economia também tem relação com a reforma trabalhistas e marcos legais recém-aprovados, como o do saneamento, gerando ganho de produtividade. Inovações tecnológicas, como Pix e aplicativos de serviços, provavelmente devem ajudar nesse sentido, sendo muito cedo para computar a inteligência artificial nesses resultados. Dessa forma, se o governo tivesse adotado uma gestão mais restritiva nos gastos públicos, essas mudanças recentes deveriam ter potencializado a expansão atual do País sem tanto sobrecarregar as contas públicas.