(Divulgação/Polícia Civil e Eduardo Valente/Estadão Conteúdo) Apesar da segurança pública do Rio de Janeiro ocupar o noticiário constantemente pelo lado negativo, a Operação Fake Monster (monstro falso), deflagrada pela Polícia Civil fluminense, traz a esperança de que a investigação com tecnologia tem potencial para dar mais tranquilidade aos brasileiros. Nesta ação, em parceria com o Ministério da Justiça, os agentes cumpriram 15 mandados para desarticular grupo que disseminava ódio contra crianças, adolescentes e público LGBTQIA+. O que mais assombra é que a operação identificou uma ameaça de ataque a bomba durante o show da cantora Lady Gaga, no sábado. Entre outros objetivos atribuídos aos alvos pela polícia estão automutilação, pedofilia e distribuição de conteúdo violento nas redes – um verdadeiro festival de horrores. O caso chegou também à Baixada Santista, com um adolescente de São Vicente, que admitiu ser responsável por perfil com mensagens de ódio. Mas ele negou relação com ameaças ao show, conforme A Tribuna publicou ontem. A operação teve alcance nacional, atingindo alvos no Rio Grande do Sul e Mato Grosso, além de cidades paulistas e fluminenses. Essa abrangência mostra como as redes sociais conseguem conectar gente mal-intencionada com objetivos doentios semelhantes. Contra isso, é preciso investir na tecnologia policial, adaptar a legislação aos novos crimes (como tem afirmado, ainda sem sucesso, o ministro de Justiça, Ricardo Lewandowski) e endurecer as penas. O rigor precisa ser implacável, lembrando que propagar ideias contra grupos específicos da sociedade não é menos grave, e muito menos se trata de liberdade de expressão. As responsabilidades precisam ser amplamente discutidas. O projeto das fake news, que trata da regulação das plataformas digitais, parado na Câmara por falta de consenso e muita pressão contrária, precisa tramitar. Segundo a Agência Brasil, o atual Marco Civil da Internet permite responsabilizar as redes por conteúdo ofensivo ou danoso caso descumpram ordem judicial de remoção (exceto conteúdos sexuais não autorizados ou violação de direitos autorais). Na prática, a moderação tem seguido regras próprias das big techs. Destinar recursos à investigação com base na tecnologia é um desafio, principalmente porque o País não conseguiu melhorar a eficiência da segurança pública tradicional. Isso piora à medida que a violência e as facções ficam enraizadas na sociedade, em ritmo acelerado que dificulta a própria reação das polícias. Percebe-se em Brasília uma eterna indefinição sobre qual caminho seguir, paralelamente à disposição dos políticos de fazer inúmeras promessas quando uma eleição se aproxima. Mas se espera que o desempenho da Operação Fake Monster (em referência aos monsters, como Lady Gaga se refere a seus fãs) se multiplique. O problema contra a violência urbana é que muitas vezes os acertos não são replicados e implantados como protocolo de ação das polícias em todo o Brasil.