Os temas vencedores do Prêmio Nobel de Economia deste ano, divulgados na segunda-feira, são uns dos mais interessantes e atuais dos últimos anos, que embutem uma leitura sobre qual caminho o Brasil deveria seguir. Os premiados discutiram como a inovação impulsiona o crescimento econômico. O holandês Joel Mokyr, de 79 anos, mostrou que o conhecimento de uma nova tecnologia e a compreensão de como é seu funcionamento são pré-requisitos para o crescimento sustentado por meio do progresso tecnológico. Nesse modelo, o novo é sempre autogerado e proporciona sucessivo desenvolvimento. Por essas análises, entende-se o sucesso econômico dos Estados Unidos desde o século 19, com acesso a insumos, amplo espaço geográfico e capital humano, resultando em muitas mudanças tecnológicas e produtos interessantes à sociedade. Por outro lado, a guerra tarifária trumpista contraria essa lógica, incentivando negócios protegidos pelas fronteiras fechadas e retendo conhecimento, como se fosse possível ser autossuficiente em pleno século 21. Os outros premiados, o francês Philippe Aghion, de 69 anos, e o canadense Peter Howitt, de 79, foram reconhecidos pela tese do crescimento sustentado pela destruição criativa, teoria original do economista Joseph Schumpeter, nos anos 1940. Como exemplo, o telefone discado deu lugar ao celular, enquanto a câmera fotográfica de filme deu espaço à digital. Conforme a explicação da Academia Real Sueca de Ciências, responsável pelo Nobel, a inovação é algo novo, portanto, criativo, mas destrutivo, porque a tecnologia obsoleta será descartada. Em tempos de inteligência artificial, a inovação e a destruição criativa estão no centro não só da economia, mas também do futuro da humanidade. A inovação e seus efeitos destrutivos, ainda que positivos, também são armas da nova ordem mundial. O caminho a ser visto é o das grandes conquistas tecnológicas se concentrando nas duas potências, EUA e China, que tentam retê-las como vantagem econômica e militar. Nesse processo, o restante do mundo, como Europa e Brasil, arrisca se tornar apenas consumidor, somente colaborando com talentos específicos. No caso do Brasil, o progresso tecnológico do agronegócio e da Embraer, por exemplo. O Brasil tem ilhas de inovação e de conhecimento científico, mas que ocorrem de forma reduzida e com financiamento precário, o que leva à descontinuidade e perda de cérebros privilegiados para países ricos. Essa riqueza intelectual é semeada desde o ensino básico, onde começa a ineficiência do Brasil, que reflete na saúde precária, na violência urbana e no sistema político. O País avançou nas últimas décadas, mas de forma muito mais lenta do que em muitos países, como China e Coreia do Sul. Isso tem a ver com gasto público, gestão da economia e fortalecimento das instituições. Resta saber se o País conseguirá desatar esses nós para acelerar seu passo.