( Marcello Casal Jr/Agência Brasil ) O Banco Central decretou na última quarta-feira uma nova fase de redução dos juros, mesmo mantendo a taxa em 15% ao ano. A mudança se dá pela promessa, que vai depender do comportamento da inflação, de começar a cortar a Selic a partir de março. Como nas vezes anteriores, deverá ser de 0,25 ou 0,50 ponto percentual, repetindo essa dose até se chegar a 13% ou, até menos, 11,5%, como apontam as previsões dos economistas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Alívio à parte, deve-se lembrar que o País convive com Selic de dois dígitos desde fevereiro de 2022, após um breve e único momento de taxa anual de 2%, entre agosto de 2020 e janeiro de 2021, mas quando a economia estava sob o choque da pandemia. De qualquer forma, é preciso discutir políticas para que se saia dessa armadilha, com a disparada da inflação assim que a economia fica mais aquecida, e os juros logo subindo para domar os preços, impondo crises ou baixo crescimento no País há duas décadas. A queda prevista para março ainda deixará a taxa básica em dois dígitos, o suficiente para manter o crédito caro. Mas uma Selic com até três pontos a menos em um ano vai fazer muita diferença, funcionando como um estímulo para muitos setores da economia. Por exemplo, as construtoras encontrarão um empréstimo mais barato para realizar lançamentos, os consumidores poderão fazer compras parceladas em mais vezes ou com taxas menores e, principalmente, haverá muita economia com os juros da dívida pública federal, de R\$ 8,6 trilhões, que reduzirá seu ritmo de crescimento. O corte dos juros deixa o investimento das empresas mais barato devido às taxas menores cobradas sobre os empréstimos. Sob essa expectativa, o mercado de ações ganhou fôlego em meados do semestre passado, somente com a previsão de que a Selic cairia em algum momento em 2026. Essa aposta se somou ao retorno dos investidores estrangeiros, em fuga dos Estados Unidos, devido ao estresse com as políticas do Governo Trump, e atraídos pelas taxas elevadas no Brasil. Nos EUA, o teto dos juros básicos é de apenas 3,75%. A Selic vai ficar menor, mas ainda será muito interessante para o capital internacional. Agora é esperar para conferir eventuais impactos da disputa eleitoral na economia. O presidente Lula isentou do Imposto de Renda os salários de até R\$ 5 mil e turbinou os programas sociais, o que fomenta o consumo. Não se deve esquecer que o BC calibra os juros conforme sua expectativa de cumprir a meta de inflação, de 3% ao ano, com tolerância máxima de 1,50 ponto para mais, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) anual fechou dezembro em 4,26%. Com a moeda americana em tendência de queda e o petróleo estabilizado, caso não ocorra um conflito no Irã, os preços deverão continuar estáveis por vários meses. Entretanto, é preciso haver uma maior disciplina nas contas públicas, o principal fator de risco para reaquecer a inflação.