(Vanessa Rodrigues/AT) A falta de recursos do Governo Federal para investir em infraestrutura não é novidade, mas se deve cobrar da gestão petista um esforço maior para destravar esses projetos. Além de serem fundamentais para reduzir os custos das empresas, muitos deles levariam desenvolvimento a regiões remotas ou desconectadas economicamente dos grandes centros. O problema de caixa tem relação com a destinação obrigatória de gastos do Orçamento, como saúde, educação e Previdência, e, mais recentemente, com o inchaço das emendas parlamentares, que consomem R\$ 50 bilhões por ano. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) está retomando os investimentos, como os de ferrovias, rodovias e o túnel Santos-Guarujá, mas a União precisa fazer muito mais. Para isso, o governo deveria acelerar a parte burocrática, de desenvolver projetos e realizar licitações, e ampliar a segurança jurídica para atrair em peso o capital privado. Com regras claras, haveria uma possibilidade de elevar os aportes nessa área, reduzindo os prazos das obras, fundamentais para essas iniciativas custarem menos e serem concluídas logo. A infraestrutura merece prioridade pelo impacto no crescimento da economia e, portanto, na geração de riquezas e empregos, levando à distribuição de renda. No Brasil, esses projetos, incluindo os da iniciativa privada, que compõem a formação bruta de capital fixo, atingiram 17,8% no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre. Trata-se de um percentual muito baixo, inferior aos 23% da média dos emergentes. Como exemplo do impacto dos investimentos de infraestrutura, a China triplicou seus aportes nessa área para estimular a economia após a crise mundial de 2008. O PIB do país chegou a crescer 12% ao ano no auge de sua expansão no começo do século, mantendo-se agora em 5%, conforme o equivalente do IBGE na China. O efeito dos projetos de infraestrutura é simples de ser compreendido. Com a construção de uma rodovia ou ferrovia, por exemplo, o transporte mais rápido, eficiente e seguro tende a gerar não somente um excedente de capital pela redução de custos, mas atrair negócios que inexistiam, praticamente saindo do zero. Com essa nova riqueza se parte para o ganho com a demanda, outro componente do PIB – famílias e empresas, com mais salários e faturamento, geram crescimento econômico sustentável. Na China, como os projetos de infraestrutura já foram feitos e seus reflexos nos PIBs regionais já se consolidaram, a base do crescimento precisa se mover para a demanda, Não é um processo simples, até porque o chinês faz muita poupança para a aposentadoria, o que desestimula o consumo. No Brasil, a base de crescimento do PIB está centrada no consumo, em especial das famílias, enfraquecido pelo endividamento e inflação. As exportações de commodities têm atraído muitos capitais, mas o investimento da infraestrutura, se deslanchasse, teria um impacto muito maior.