Foto ilustrativa (Freepik) Mesmo após o Desenrola Brasil e Desenrola Pequenos Negócios, a inadimplência voltou a aumentar no País. O que é mais grave é que isso se dá em amplas frentes, não somente entre pessoas físicas e pequenos negócios, mas também com grandes empresas e agronegócio. A piora desse quadro tem relação com a Selic, de 15% ao ano, que poderá passar a recuar moderadamente apenas a partir de dezembro ou começo do próximo ano. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, comerciantes já pagam mais de 5% ao mês para tomar empréstimo – o equivalente a 80% ao ano. O crédito rotativo do cartão de crédito, a pior linha para os inadimplentes, está ao redor de 15% ao mês – ou 435% ao ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Serasa, o País registrou, em junho, 77,9 milhões de consumidores e 7,7 milhões de empresas inadimplentes. No agronegócio, os juros altos sobre dívidas relacionadas a perdas com o clima, entre outras dificuldades, prejudicaram o balanço do Banco do Brasil, a instituição que mais empresta ao setor rural. O alto índice de inadimplência de seus clientes reduziu a lucratividade do BB. Há ainda companhias que levantaram recursos por meio de títulos, como certificados de recebíveis, que também podem enfrentar dificuldades para honrá-los. Nota-se que, apesar da Selic elevada, a economia se manteve em um bom ritmo, com expansão do mercado de trabalho e muitas exportações, mas agora é possível observar uma desaceleração mais contundente, principalmente no comércio. Acredita-se em melhora no próximo ano se os juros recuarem, mas até lá as perdas devem avançar. O governo deveria voltar a estudar soluções para amenizar o endividamento privado. O recuo da Selic depende do Banco Central, que toma suas decisões com base na inflação, que foi estimulada pela injeção de recursos públicos. Agora, os preços começaram a recuar devido a essa política restritiva do BC e a situações inesperadas, como a queda do dólar, a estabilidade do petróleo e o represamento dos preços pela Petrobras. Já o tarifaço dos EUA tende a auxiliar no arrefecimento inflacionário, como o das carnes e do café. De qualquer forma, deveria ser retomado algum plano na linha do Desenrola, aplicado no ano passado. Houve um imenso esforço para costurá-lo com os bancos e empresas de serviços, mas ele não teve o efeito esperado pelo governo em sua popularidade. Porém, programas assim devem ser uma iniciativa de Estado, mantidos como estratégia para acelerar o retorno de pessoas físicas e jurídicas ao consumo e aos investimentos. Aliás, uma das propostas do Desenrola era educar financeiramente os inadimplentes. Pelo jeito, isso não foi feito, pelo menos no nível em que se esperava. Conforme a Serasa, na reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os endividados, após renegociarem suas dívidas, voltam a enfrentar dificuldades com as contas e novos empréstimos, retomando ao calote. Assim, o País nunca terá um desenvolvimento sustentável.