Foto ilustrativa (Gema Cortes / OIM) Depois de 60 anos em queda, o número de estrangeiros e naturalizados voltou a aumentar no País, assim como houve mudanças no perfil dos imigrantes, com poucos europeus e uma maioria de latino-americanos, em geral, venezuelanos. Os dados foram divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que se baseou no Censo 2022, e obviamente ainda não refletem a política imigratória do presidente americano Donald Trump. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! As correntes imigratórias ao Brasil perderam força em meados do século 20. Porém, entre os censos de 2010 e 2022, o total de estrangeiros residentes no País saltou de 592 mil para 1 milhão, alta de 70%. O avanço foi puxado pelos venezuelanos, que em 2022 eram 272 mil, superando a soma dos europeus, de 203 mil. Essa atração dos habitantes do país vizinho não tem relação com alguma pujança ou “sonho brasileiro”, mas com a crise econômica e política da Venezuela. Se ela for resolvida ou abrandada, poderá desacelerar rapidamente esse movimento. Entretanto, o Censo mostra que a imigração de latino-americanos, e não apenas de venezuelanos, também cresceu, ainda que a um ritmo menor. O maior saldo foi de haitianos, de 112 em 2010 para 23.507 em 2022, e de cubanos, de 3.255 para 15.7 mil. A alta também se deu com bolivianos, argentinos e colombianos. Mas houve recuo de americanos (de 52 mil para 29 mil), japoneses (de 41 mil para 9 mil) e europeus (de 79 mil a 55,7 mil). Da África, vieram mais angolanos (de 1,8 mil para 4,3 mil). Estudos e investigações da Polícia Federal, que precisam ser aprofundados, indicaram que parte da imigração mais recente teria relação com a tentativa de entrar nos EUA e Europa, passando antes pelo Brasil. Muitos vêm de países sem tradição com o Brasil, como asiáticos (não japoneses, chineses e coreanos) e africanos e vão ficar pouco tempo, poderão não ser detectados pelo Censo. Trata-se de um fenômeno mundial, facilitado pelos aplicativos de mensagens para achar rotas, evitar bloqueios policiais e ser conduzido pelos coiotes, que prometem viabilizar travessias em troca de dinheiro. A imprensa americana apontou que o fluxo entre EUA e México despencou desde a eleição de Trump, ficando o suspense de como isso impactará mundialmente. Muita gente tenta mudar de país para melhorar de vida, mas outros, por necessidade, fogem de catástrofes climáticas e guerras. Apesar da surpresa com o resultado do censo, o País não parece ter se tornado um novo centro mundial de atração imigratória. Pelo contrário, há muitos brasileiros, que alegam falta de oportunidade interna e medo da violência, tentando viver nos EUA, Canadá, Europa, Austrália e Nova Zelândia. Muitos, segundo estudos, têm boa formação educacional, uma saída que estaria acelerando a queda do número de nascimentos no País. São dados que merecem ser observados, indicando uma relação com a descrença no País, o que é bem preocupante.