(Unsplash) Morte de papa é e sempre será um assunto de abrangência mundial, não importa quem esteja exercendo a função. Porém, a passamento de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, merece uma reflexão especial. Afinal, sua obra e seu legado são verdadeiros ensinamentos a serem seguidos, especialmente em tempos tão difíceis, com a discórdia e a intolerância cada vez mais presentes nas relações entre as pessoas. Em um organismo marcado pela rigidez e pelo conservadorismo, Francisco se notabilizou pelo jeito simples e pela atenção aos pobres e às minorias. Não por acaso, desagradou pares. Ao externar sua preocupação com o meio ambiente e com a inclusão da população LGBTQIAPN+. por exemplo, demonstrou que, dogmas à parte, o amor e a tolerância pregados por Jesus Cristo devem chegar a todos, mesmo àqueles que não se enquadram nos padrões tidos como ideais pela maioria. Em mais de uma década de papado, Francisco assumiu o posto em um momento de crise, com escândalos como o Vatileaks, que expuseram corrupção, desvios de dinheiro e indisciplina no Vaticano. A chegada de um líder de fora da Europa ao topo da Igreja veio após a renúncia de Bento 16 e soou como uma resposta da Cúria Romana ao clamor por novos tempos e novas práticas. Entretanto, nem as mais visionárias previsões poderiam antecipar uma transformação tão acentuada. Fiel a sua formação, Francisco escolheu a misericórdia como lema. Para ele, a capacidade de ter compaixão, amar e acolher o próximo se sobrepõe a leis ou mandamentos que privilegiam muros em detrimento de pontes. Além disso, a alegria e a simpatia foram traços marcantes da personalidade do papa. As aparições sorridentes e a proximidade com os fiéis nos tempos em que a saúde lhe permitia ajudaram a construir uma imagem de homem generoso e atencioso. Colaborou nesse sentido, também, sua paixão pelo futebol – argentino, ele era torcedor do San Lorenzo, clube que lhe prestou notáveis homenagens. A passagem do papa Francisco pelo Brasil foi um marco para o catolicismo. Ele esteve por aqui uma única vez, em julho de 2013, em um momento delicado não apenas para a Igreja, mas também para a política brasileira, à época marcada por protestos que, mais tarde, viriam a desaguar no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Francisco participou da Jornada Mundial da Juventude. Além de eventos no Rio de Janeiro, ele visitou o Santuário de Aparecida do Norte, entre outros lugares. O pontífice conclamou os jovens a buscar a felicidade derrubando as barreiras do egoísmo, do ódio e da intolerância. Francisco foi um crítico das guerras. A invasão russa à Ucrânia e o conflito entre israelenses e palestinos mereceram a atenção do papa em discursos pedindo por paz e entendimento. E é exatamente essa a maior lição deixada por ele. Há espaço para todos viverem em harmonia, não importam as diferenças.