(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Pelo segundo ano seguido, a balança comercial (exportações menos importações) recuou, após o recorde de US\$ 98,9 bilhões em 2023. O saldo de US\$ 68,3 bilhões em 2025, entretanto, não foi ruim. Pelo contrário, surpreendeu por ter suportado o tarifaço dos Estados Unidos, o temor de que outros países adotariam a imposição de tarifas (apenas México e China, na carne bovina, o fizeram) e o arrefecimento do dólar, que reduz o ganho dos exportadores. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) esperava um superávit de US\$ 60 bilhões, apostando para este ano em um resultado melhor, de US\$ 70 bilhões a US\$ 90 bilhões. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mais uma vez o petróleo ficou à frente da soja como principal produto de exportação, com vendas de US\$ 44,6 bilhões, enquanto a oleaginosa registrou US\$ 43,5 bilhões. O minério de ferro, que se desvalorizou e tem a China como principal compradora, com baixo crescimento, atingiu US\$ 29 bilhões. Mas o que chamou a atenção foi o desempenho de carne bovina e café, que receberam sobretaxa de 50% dos EUA. A proteína animal, com US\$ 16,6 bilhões exportados, e o grão, com US\$ 14,9 bilhões, aumentaram suas vendas em 42,4% e 31,9%, respectivamente. Esses saltos mostram que os exportadores souberam procurar outros mercados, como Ásia e México. Em relação aos EUA, o setor produtivo e o Governo Federal atuaram em parceria, deixando de lado o revide comercial previsto pela lei da reciprocidade, e conversaram com muita paciência com as autoridades americanas. A pressão inflacionária e a vitória dos democratas nas eleições em alguns estados e cidades ajudaram o Brasil, fazendo a Casa Branca recuar. Hoje, um quinto das exportações brasileiras inicialmente taxadas pelos EUA segue pagando tarifas. Diferentemente de tempos atrás, quando o País apenas exportava café, a pauta brasileira agora é bem variada, com algodão, milho e açúcar, várias modalidades de carnes e outros minérios, como o cobre, em alta devido aos investimentos em inteligência artificial, e o ouro. Mas o País segue com deficiências para exportar mais, como logística precária e crédito caro. Porém, expectativas positivas persistem. A principal delas é o acordo do Mercosul com a União Europeia, que deve sair talvez neste mês, após boatos de que a Itália decidiu apoiá-lo. Além disso, a Argentina segue em moderada recuperação, comprando mais do Brasil, e a China continua como a principal importadora. O país é responsável por 28,7% das exportações do Brasil, frente aos 10,8% dos Estados Unidos. Deve-se ressaltar ainda que o saldo comercial de US\$ 68 bilhões foi menor também porque o País importou mais – segundo analistas, porque as empresas estão comprando máquinas e insumos para expandir os negócios. A leitura que se tem é de que o País finalmente se consolida como um país exportador, cujo crescimento constante vai depender de resolver suas falhas, como nos transportes e na formação de mão de obra.