(Marcello Casal Jr/Agência Brasil) No primeiro dia do novo empréstimo consignado, na sexta-feira, as simulações somaram 15 milhões de acessos no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. Trata-se de um movimento impressionante, pois há 47 milhões de trabalhadores formais no País, o público que pode solicitar esse crédito. Tamanho interesse também pode ser explicado pelo extremo endividamento das famílias, lembrando que essa modalidade de crédito é das mais baratas devido ao baixo risco. Por isso, ela é recomendada para quem tem dívida com juros altos, migrando para taxas menores. Das simulações feitas no primeiro dia, 1,58 milhão evoluíram para propostas enviadas aos bancos, com 1,5 mil contratos efetivamente assinados. Conforme reportagens, as taxas mensais da linha ficaram em 3%, bem acima dos quase 2% do consignado dos aposentados. A diferença pode ser explicada pelo risco de calote, quase inexistente na Previdência, enquanto no setor privado há possibilidade de demissão. No caso de perda do emprego, a multa rescisória e até 10% do FGTS poderão ser usados para pagar o saldo devedor. Se forem insuficientes, o pagamento será retomado quando houver novo emprego com carteira. Os bancos terão que aguardar alguns anos para levantar o risco de crédito dessa modalidade. Se for baixo e com poucos abusos, como evitar emprego formal para escapar das parcelas, as taxas devem ficar mais baratas. Apesar das vantagens da linha, há dúvidas se os trabalhadores têm educação financeira para aproveitá-la saudavelmente. Entre os aposentados, estudos apontaram que muitos foram convencidos por parentes a tomar empréstimos para cobrir gastos da família, transferindo para o idoso os efeitos do descuido com o dinheiro. Ele passa a ficar por muitos meses com uma renda inferior, interferindo na qualidade de vida. Por outro lado, o consignado propicia prestações mais baixas, auxiliando a readequar as finanças pessoais e voltar a consumir. Resultado parecido deve ter sido obtido com o programa Desenrola, de renegociação de dívidas, que foi muito mal aproveitado. Depois de um imenso trabalho para operacionalizá-lo, pouco se fala sobre ele agora. Imagina-se que, com o Desenrola, as faculdades de Economia, produzirão estudos importantes para ajudar melhorar o segmento de crédito. Mas a melhora do crédito depende da queda dos juros básicos, historicamente elevados no País. Isso vale para todos os tipos de empréstimos, principalmente os das empresas. Há nos últimos meses uma onda de pessoas jurídicas dos mais variados portes entrando em recuperação judicial, processo que permite reestruturar suas dívidas e evitar a falência. Para taxas baixas e estáveis, é necessário que as contas públicas estejam controladas, pois a intensidade com que o governo precisa tomar recursos da sociedade para se financiar interfere no custo de todo o sistema de financiamento. E já se sabe que o setor público não colabora para uma melhora nesse sentido.