(Envato Elements/Divulgação) O Brasil está entre os países com a energia mais limpa do mundo, com 88% de sua produção concentrada em meios renováveis, enquanto a média global é de 35%, segundo o Ministério de Minas e Energia. O uso consolidado de usinas hidrelétricas e do etanol, além da expansão das fontes eólicas (vento) e fotovoltaicas (solar), estas duas últimas responsáveis por 91% da potência adicional instalada no País em 2024, causou uma rápida transformação na matriz brasileira. Entretanto, a gestão do sistema elétrico ainda precisa ser melhorada. Há distorções, com muitos novos geradores sofrendo prejuízos por serem desligados das redes para evitar apagões quando há simultaneamente excesso de produção e baixo consumo. Além disso, mudanças de regras a todo momento geram insegurança tanto para as empresas do setor como para consumidores. Por fim, há ainda as contas de luz encarecidas por subsídios e impostos elevados, apesar do Brasil viver hoje uma febre de aumento de produção de energia. Muitos dos problemas no setor energético têm relação com a expansão acelerada das fontes limpas, o que é natural por serem segmentos construídos praticamente do zero. Por exemplo, hoje há 300 usinas fotovoltaicas espalhadas pelo País e milhares de residências, edifícios e sedes de empresas têm sistemas próprios de geração. O Congresso recentemente aprovou mudanças, com os pequenos consumidores, daqui a alguns anos, tendo a mesma possibilidade das grandes empresas de escolher de onde vão comprar energia. Isso deverá estimular a concorrência do setor, que praticamente concluiu sua privatização com a venda da Eletrobras, agora Axia. Hoje há uma série de companhias atuando em três setores: o de geração, de transmissão (leva a energia em alta tensão das usinas até as subestações) e de distribuição (entrega a luz ao consumidor final). São empresas que participam de licitações do governo para obter contratos, enquanto os grandes consumidores compram energia em leilões para obter o menor preço. Essa transição da energia elétrica para novas fontes gerou uma demanda gigantesca de equipamentos tanto para usinas fotovoltaicas e eólicas como para edifícios e residências. Mas quem faturou nesse lado foram os chineses, mais rápidos e com custos baixos para atender o mercado mundialmente. Agora o governo tenta um caminho diferente para os data centers, centros de processamento e armazenagem de dados, que ganharam um programa específico, também uma forma de aproveitar a expansão da energia limpa. A intenção é que esses investimentos, com estímulos fiscais, comprem parte dos equipamentos no País, desenvolvendo um novo segmento industrial. Portanto, com tantas vantagens ao mesmo tempo para a energia, a gestão e a regulação do setor precisam ser aprimoradas para que se possa potencializar os ganhos do País, ao mesmo tempo em que se levaria um serviço de melhor qualidade à população e empresas.