(Pixabay) Com direito à disputa de uma eleição presidencial, o ano de 2026 terá um capítulo especial dedicado à economia no Brasil. Ainda que oficialmente não tenha declarado a intenção de concorrer à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva certamente o fará. Para ele, e para os adversários, será preciso lidar com um cenário contraditório quando se fala em finanças, praticamente tão polarizado quanto as discussões políticas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O País viu 2025 chegar ao fim com números positivos em relação à taxa de desemprego, de 5,2% no trimestre concluído em novembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da menor taxa de desocupação desde 2012, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. De acordo com o IBGE, de setembro a novembro, 5,6 milhões de pessoas estavam desempregadas, o menor número de desocupados já registrado pela pesquisa. A menor desocupação da série histórica veio acompanhada por um novo recorde no número de pessoas ocupadas: 103,2 milhões. Entretanto, quando se olha para a questão fiscal, não há o que comemorar. A dívida bruta do governo subiu para 79% do Produto Interno Bruto (PIB) em novembro - em outubro, era de 78,4%. Já a dívida líquida do setor público alcançou 65,2%, resultado alta de 0,5 ponto percentual, tendo como referência o PIB no mês. Além disso, as contas públicas fecharam novembro com déficit primário de R\$ 14,4 bilhões. No mesmo mês de 2024, o prejuízo ficou em R\$ 6,6 bilhões, conforme o Banco Central. As empresas estatais apresentaram déficit de R\$ 2,9 bilhões, enquanto os governos regionais registraram superávit de R\$ 5,3 bilhões. No acumulado de 12 meses até novembro, o déficit primário público alcançou R\$ 45,5 bilhões, resultado que corresponde a 0,36% do PIB. Como está desenhado, o governo entra em 2026 com uma situação fiscal complicada. Além de uma meta de resultado primário “desafiadora”, na visão da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, o governo ainda precisará de uma série de vitórias no Congresso, onde tem enfrentado dificuldades, para equilibrar as contas públicas. A meta fiscal para o ano é de superávit primário de 0,25% do PIB, cerca de R\$ 34 bilhões, com intervalo de tolerância de 0,25 ponto base para mais ou para menos. Com diferentes argumentos e justificativas, como “corrigir distorções” e fazer “o andar de cima” pagar proporcionalmente àquilo que aufere, o governo tenta arrecadar mais e cortar menos. Se nos anos que se passaram a dívida pública cresceu, é de se esperar que a influência de uma eleição mantenha - ou agrave - o panorama. Fato é que a difícil equação permanece sem solução. Equilibrar gasto social e responsabilidade fiscal não é simples, mas quem administra as finanças do País não pode perder de vista a missão dividida em duas frentes.