(Imagem Ilustrativa/ Unsplash) A Justiça Restaurativa tem se consolidado, em diferentes partes do mundo, como uma alternativa capaz de transformar a forma como se lida com conflitos, especialmente no ambiente escolar. Em vez de centrar-se na punição, esse modelo busca o diálogo, a escuta e a reparação de danos como ferramentas de aprendizado e reconstrução de vínculos. Em Santos, a iniciativa ganhou força a partir de 2017, quando a lei municipal nº 3.371 instituiu a política pública voltada à Justiça Restaurativa, posteriormente regulamentada por decreto. Desde então, a cidade estruturou uma rede que alcança hoje todas as 86 escolas municipais, além de instâncias do Executivo, Legislativo, Judiciário, OAB e entidades parceiras. A adoção desse caminho é assertiva e necessária para a construção de uma sociedade mais justa, empática e inclusiva. Já são mais de 500 disseminadores de paz atuando na Cidade, e em 2025 novos cursos formarão facilitadores entre professores, servidores e até jovens de programas como o Santos Jovem Doutor e grêmios estudantis. É a demonstração de que a cultura da paz não se impõe por decreto: ela se aprende, se pratica e se compartilha. Mas esse caminho não é simples. A educação para a paz representa um desafio para educadores e famílias. Exige tempo, disposição para ouvir, empatia e um olhar renovado sobre a escola como espaço de convivência. Muitas vezes, diante de situações de conflito, a saída mais fácil parece ser a exclusão ou a punição. A Justiça Restaurativa, ao contrário, propõe o enfrentamento responsável das causas, a reparação de danos e a reconstrução de laços. É um trabalho paciente, que demanda recursos, formação continuada e a participação efetiva da comunidade escolar. A política pública, portanto, não pode se restringir a ações pontuais, é preciso o envolvimento de todos — professores, gestores, estudantes, famílias e instituições — na consolidação de uma rede que sustente práticas restaurativas de forma duradoura. A escola é o ponto de partida, mas os reflexos se estendem para a cidade inteira: comunidades mais seguras, jovens mais conscientes de seus papéis sociais e famílias mais fortalecidas em seus vínculos. O tema foi o centro da Semana da Educação Paulo Freire, encerrada ontem em Santos. Ao celebrar o educador que acredita na transformação pela palavra, pelo diálogo e pela esperança, o município reforça que educar para a paz é, antes de tudo, educar para a cidadania plena. A experiência já vivida mostra resultados positivos, mas também evidencia que não há atalhos: construir uma cultura restaurativa é uma tarefa coletiva, contínua e que deve ser assumida como prioridade. Independentemente de governos ou ideologias, programas bem sucedidos precisam ser blindados de alternâncias políticas. Essa é a tarefa que se impõe quando um programa é bem-sucedido e tem resultados mensuráveis.