(Sílvio Luiz/AT) Há um dito popular que diz: não é possível fazer uma limonada sem espremer os limões, ou seja, para se chegar ao resultado, é preciso, antes, de providências nem sempre tão agradáveis. Ver o funcionamento da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é o desejo coletivo de todos aqueles que precisam se deslocar pelas cidades de Santos e São Vicente. Então, é compreensível ter que esperar as obras. Para os comerciantes da região central de Santos, espremer os limões foi ainda mais complexo porque enfrentaram vias interditadas por seis meses, poeira em suspensão entrando o dia inteiro e falta de clientela diante do esvaziamento do vaivém de pessoas pelas ruas. Mas a limonada, no caso, será ver todo esse território mais movimentado e pujante. Ocorre que o tempo para experimentar esse novo cenário está demasiadamente atrasado. No início do ano, o governador Tarcísio de Freitas anunciou que a entrada em funcionamento da segunda fase do VLT ocorreria até agosto. Não ocorreu e, agora, a promessa é de que a operação comercial terá início ainda neste semestre, mas sem data certa. Além disso, já passa de R\$ 600 milhões o custo total da obra, inicialmente prevista para consumir R\$ 217 milhões. A argumentação da Artesp, agência responsável pelo VLT, é que a EMTU, estatal inicialmente gestora do modal, entrou em liquidação sem ter finalizado as pendências, como instalação dos sistemas de energia, sinalização, telecomunicações e programa de bilhetagem. Esse quadro exigiu que a Artesp encarregasse a BR Mobilidade de concluir os trabalhos, retardando os prazos e encarecendo o projeto. Com obras civis prontas há mais de cinco meses, tudo que se vê, desde setembro do ano passado, são testes de percurso sendo executados rotineiramente. É sabido que obras públicas dificilmente são entregues nos prazos estabelecidos, ainda mais com dimensão e nível de complexidade como as que envolvem a implantação de um sistema de transporte como o VLT. Porém, não se pode negar a legitimidade da frustração que acompanha a população e os comerciantes que aguardam por essa obra há anos e sobre a qual se deposita grande expectativa de retomada da importância da região central. Por parte da Prefeitura de Santos, também há vários investimentos sendo feitos que estão atrelados à maior mobilidade urbana que o VLT vai proporcionar, como equipamentos turísticos, o novo Mercado Municipal e projetos habitacionais na área do Valongo. A três meses do período mais fértil para o comércio de rua, as festas de final de ano, espera-se que todas as providências faltantes sejam tomadas e que a prometida segunda fase do VLT entre em funcionamento antes do final do ano. Além de representar um alento aos comerciantes dessa região e um motivo a mais para valorizar os projetos de reocupação dos bairros, será afastada, em definitivo, a ideia de que o atraso poderia estar ocorrendo para favorecer a campanha eleitoral de 2026. Aguarde-se.