Imagem ilustrativa gerada por IA (Freepik) Enquanto os governos Trump e Lula não conversam, a agropecuária brasileira toma a difícil decisão de aumentar sua produção sem saber se terá como vendê-la. Economistas afirmam que a maior parte dos alimentos, que deixarão de ser exportados ou vendidos em menor quantidade aos EUA devido às tarifas de 10% ou 50%, poderá ser realocada para outros países. O problema é que essa readequação pode levar tempo e ser realizada a preços mais baixos – tanto pela queda das cotações, provocada pelo crescimento da safra brasileira, como pela disputa internacional, pois outras economias também estão redirecionando suas mercadorias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Depois da colheita recorde de 345 milhões de toneladas, os agricultores já compraram insumos para começar um novo plantio para a próxima safra. Além da incerteza gerada com a guerra tarifária, os brasileiros enfrentam dívidas até o ano passado causadas por extremos climáticos, como chuvas ou seca. Sem receita devido às perdas, ocorreu mais endividamento, levando à queda de 60% do lucro do Banco do Brasil, instituição que mais empresta ao agronegócio e que agora enfrenta muitos calotes. Houve ainda o aumento dos custos com fertilizantes e fretes após a pandemia e a guerra da Ucrânia e o atual recuo das cotações, exceto com alguns produtos, como o café e carnes. Para piorar, a praga da lagarta-do-cartucho, controlada por biotecnologia, voltou a ser registrada no Brasil. Há ainda o risco de uma deterioração da crise entre o Brasil e EUA resultar no aumento do tarifaço. Portanto, o Governo Lula, sem contatos até o momento com a Casa Branca, que tenta impor o fim do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, precisa encontrar uma forma de negociação para dar mais segurança aos exportadores. O setor da soja espera produzir 170 milhões de toneladas para a próxima safra. O produto foi punido com tarifa de 50% e enfrenta o risco da negociação dos EUA com a China tirar mercado dos brasileiros no país asiático. Até o momento, a China represou a exportação americana, fazendo com que as vendas do Brasil aumentassem para os chineses em 19% neste ano. Mas os fazendeiros do País precisam ter certeza de que essas vendas continuarão em 2026. Enquanto o agronegócio não encontra outros mercados, o governo autorizou a compra de mais alimentos pelo setor público. Além disso, o consumo interno tende a aumentar com a expectativa de queda de preços causada pelo represamento das exportações. Os mais perecíveis, como frutas e pescados, são os mais prejudicados. Exportadores de peixes destinavam 80% de suas vendas externas aos EUA, fluxo interrompido devido aos 50%. Setores de cacau, arroz, milho, frango, açúcar e etanol também pagam essa taxa e correm contra o tempo na busca por novos destinos. Por isso, é fundamental que o governo acelere o programa Brasil Soberano, que dará suporte em crédito, entre outras iniciativas, aos exportadores atingidos.