O Brasil ampliou as quantidades físicas exportadas, mas faturou menos devido às desvalorizações ( Unsplash ) A balança comercial, diferença entre exportações e importações, poderá encolher um terço neste ano, em relação a 2024, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Governo Federal. Dos US\$ 74,6 bilhões em 2024, a expectativa é chegar a US\$ 50 bilhões em 2025. A Secex diz que é cedo para identificar impactos da guerra tarifária do presidente americano Donald Trump. Assim, o recuo tem mais relação com a queda dos preços das commodities, produtos (alimentos, minérios e petróleo) com cotações definidas em bolsas internacionais. O Brasil ampliou as quantidades físicas exportadas, mas faturou menos devido às desvalorizações. Além disso, as importações cresceram devido à economia aquecida. Muitas indústrias têm aproveitado o bom momento para modernizar suas fábricas, comprando máquinas fora do País. Por outro lado, a China, muito competitiva, disparou os embarques de carros e aço no Brasil. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Há ainda outro fator que pesará contra o saldo comercial, o dólar. A moeda está enfraquecida mundialmente pelas políticas do Governo Trump e, nas últimas semanas, pela possibilidade do Banco Central dos EUA reduzir os juros. Caso isso se confirme, como os títulos americanos passarão a pagar menos, parte dos capitais poderá sair dos EUA, fortalecendo ainda mais todas as outras divisas. Em 1º de janeiro, o dólar atingiu R\$ 6,18, curiosamente o pico de 2025, encolhendo 12% no primeiro semestre – agora está em R\$ 5,42. No ano passado, a cada confusão na política econômica, esse preço dava saltos. Em 2025, os problemas com as contas públicas não faltaram, mas a moeda não reagiu, indicando que a fraqueza da divisa vem do exterior. Como dólar em queda barateia as importações e encarece as exportações, não dá para não esperar que a balança vai sofrer um pouco. Mesmo com a balança reduzida neste ano, o País manterá sua sequência de resultados elevados, bem diferente do que há 30 anos. Nessa época, o Brasil amargava déficits, o que mudou em 2001, com saldo positivo de US\$ 2,6 bilhões, avançando para US\$ 15 bilhões em 2002 e disparando a US\$ 46 bilhões em 2006. Desde então, o único ano negativo foi 2014, com US\$ 4 bilhões. Em 2023, bateu seu maior nível, a US\$ 98,8 bilhões, recuando para US\$ 74 bilhões em 2024. Por trás desse exuberância está a China, comprando soja, minério de ferro e petróleo. Com essas vendas, o agronegócio investiu em tecnologia e na produtividade, diversificando as mercadorias e buscando outros mercados. E isso com um sistema logístico cheio de falhas. Mas o Brasil permanece comendo poeira na indústria. Ela encolheu e não consegue enfrentar os chineses. Falta uma política industrial, sem os previsíveis incentivos fiscais, buscando competitividade, investimento pesado em tecnologia e qualificação da mão de obra. O Governo Federal merece críticas, mas esse setor é muito forte em São Paulo, e o Estado precisa cobrar respostas nessa área.