(Reprodução/X/Donald Trump) Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos pela segunda vez porque, segundo seus pares e admiradores, tem entre as várias de suas virtudes a firmeza e a expertise para resolver problemas e conflitos de difícil solução. Com ele, dizem os mais próximos, o mundo era um lugar mais tranquilo antes e voltará a ser agora. Contudo, não é o que se observa até o momento. Embora Trump considere Vladimir Putin uma pessoa com quem tem boa relação, em que pese a rivalidade histórica entre norte-americanos e russos, a invasão da Ucrânia por parte da Rússia continua a todo vapor, produzindo vítimas especialmente do lado ucraniano, o mais fraco. Ao tentar intervir diretamente, depois de cortar armas e recursos que a gestão Biden direcionava ao lado mais fraco do combate, Trump constrangeu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky com ironias e bravatas frente a frente no Salão Oval da Casa Branca, para todo mundo ver. Um episódio impensável em tempos de normalidade, mas que não chamou tanta atenção na era em que as redes sociais fizeram valores fundamentais e a diplomacia perderem força e sentido. Ao manter o longevo apoio que os Estados Unidos dão a Israel no conflito com os palestinos, o presidente norte-americano agiu como quem faz piada. A ponto de sugerir transformar a Faixa de Gaza em uma espécie de balneário, com direito a vídeo de inteligência artificial, desconsiderando a importância e o valor histórico do local. Isso sem falar que ele poucas vezes se sensibilizou com as mortes de inocentes do lado palestino. No episódio mais recente de um destempero que custa vidas e sonhos, Donald Trump rompeu com o empresário Elon Musk, um dos homens mais ricos e poderosos do mundo e seu correligionário mais famoso. Parceiros durante a campanha e nos primeiros meses de governo, eles divergiram sobre uma questão econômica e a baixaria começou nas redes sociais – sempre elas. Fiel a seu estilo verborrágico, Trump foi para o X (antigo Twitter), que pertence a Musk, e enfileirou impropérios. Musk não deixou por menos e acusou o antigo colega de, entre outras práticas menos ortodoxas, estar envolvido até mesmo em um escândalo sexual. A relevância dos Estados Unidos na solução de conflitos globais vem de longe, ainda que em alguns momentos os movimentos – e os resultados – não tenham sido os melhores. Agora, em um momento notadamente conturbado, com crises que se arrastam, qualquer gesto ou palavra pode fazer grande diferença. E o que se vê é uma sucessão de equívocos responsáveis pela produção de mais e mais cadáveres e destroços. Já passou da hora de os adultos na sala levantarem a mão e tomarem as rédeas da situação. Se não de maneira efetiva, porque não têm poder para isso, ao menos no sentido de aconselhar o presidente norte-americano a agir com mais parcimônia e menos espalhafato. O futuro da humanidade agradece.